Explosão em obra da Sabesp no Jaguaré mata trabalhador e expõe crise da privatização

Homem discursa em evento da Sabesp, com o logo da B3 visível no púlpito. (Foto: operamundi.uol.com.br)

Uma explosão em uma obra da Sabesp no bairro do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, matou um trabalhador, destruiu 49 residências e deixou mais de 160 pessoas desalojadas.

O acidente é apontado por críticos e especialistas como mais um capítulo de uma crise que se aprofundou desde que a companhia passou pelo processo de abertura de capital e entrada de sócios privados majoritários, concluído em 2024. Fundada em 1973, a Sabesp era responsável por cerca de 30% do investimento em saneamento básico no estado de São Paulo e era reconhecida pela qualidade de seus serviços ao longo de décadas.

Após a entrada da Equatorial Energia como acionista de referência, com participação de aproximadamente 32% do capital social, a empresa passou a liderar o ranking de reclamações do Procon paulista. A tragédia no Jaguaré não é um episódio isolado: trata-se de mais um acidente com vítimas fatais registrado no período pós-privatização.

Conforme aponta análise publicada pelo Opera Mundi, a lógica de maximização de lucros que passou a orientar a gestão da Sabesp resultou em cortes de investimentos e redução de equipes. Programas essenciais de manutenção preventiva foram enfraquecidos de forma sistemática.

A Equatorial Energia promoveu demissões em massa após assumir o controle operacional da companhia, com mais de 2.000 postos de trabalho eliminados segundo dados sindicais. O efeito direto foi o aumento dos prazos para consertos emergenciais e uma disparada de cerca de 70% nas reclamações de usuários em relação ao período anterior à privatização.

As promessas que embasaram a venda da empresa ao setor privado — tarifas mais baixas e serviços de maior qualidade — não se materializaram para a população paulista. As contas de água e esgoto subiram, registros de esgoto sem tratamento lançado no Rio Tietê voltaram a aparecer, e a sensação de abandono nas periferias da cidade se intensificou.

O contraste entre os resultados financeiros da empresa e a indenização oferecida às famílias atingidas pela explosão no Jaguaré é revelador da nova lógica que governa a Sabesp. Enquanto a companhia registrou lucros bilionários nos balanços mais recentes, as famílias que perderam suas casas receberam uma oferta inicial de apenas 5.000 reais como auxílio emergencial — valor considerado irrisório e insultante por moradores e vereadores que acompanharam o caso.

O processo de privatização da Sabesp contraria uma tendência global de reestatização de sistemas de água e esgoto, observada em dezenas de países que reconheceram o fracasso do modelo privado na gestão de serviços essenciais. A experiência paulista, sob o governo de Tarcísio de Freitas, começa a ser citada como exemplo do que não fazer, especialmente diante de tragédias como a do Jaguaré, que poderiam ter sido evitadas com manutenção adequada e equipes técnicas suficientes em campo.


Leia também: Explosão no Jaguaré expõe os estragos da privatização da Sabesp e o fantasma da Enel em São Paulo


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