O ministro das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã, Abbas Araghchi, defendeu o papel central dos BRICS na reformulação da governança global. Afirmou que as estruturas internacionais atuais perderam legitimidade e beneficiam apenas um grupo restrito de países.
Em reunião dos chanceleres dos BRICS em Nova Délhi, Araghchi alertou que as instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial não atendem às demandas do século XXI. Isso gera instabilidade estrutural e uma crise profunda de confiança no sistema internacional.
Araghchi destacou a disparidade entre potências emergentes e as estruturas tradicionais de decisão. Essa situação ameaça a estabilidade mundial e perpetua injustiças na distribuição de poder, riqueza e oportunidades de desenvolvimento.
Condenou o unilateralismo disfarçado de multilateralismo, exemplificado pelo uso seletivo das leis internacionais. Citou sanções unilaterais e violações à soberania nacional como práticas recorrentes do eixo imperialista.
O chanceler enfatizou a necessidade de mecanismos financeiros independentes sob a liderança dos BRICS. Argumentou que a cooperação em áreas econômicas, financeiras e tecnológicas pode reduzir a dependência de sistemas monopolísticos ocidentais.
Araghchi cobrou reformas radicais nas organizações internacionais, especialmente no Conselho de Segurança da ONU. Classificou o órgão como emblema de ineficiência e desequilíbrio de poder, defendendo uma representação equitativa dos continentes.
As declarações reforçam a demanda por uma governança global mais equitativa e inclusiva. Os BRICS atuam como força pivotal para equilibrar estratégias internacionais e proteger a soberania nacional dos países membros.
Segundo o portal RT, a perspectiva iraniana fortalece a visão de um mundo multipolar. A expansão do bloco, com novos membros como Irã, Egito e Etiópia, sinaliza um movimento irreversível rumo à multipolaridade.
O contexto de tensões crescentes evidencia as fragilidades do sistema atual. Sanções impostas por potências ocidentais expõem a necessidade de parcerias sul-sul para contrabalançar influências hegemônicas.
Araghchi concluiu que os BRICS devem liderar a transição para um sistema baseado no diálogo. Sua intervenção reforça o compromisso do Irã com a justiça global e a não interferência nos assuntos internos das nações.
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