O governo de Israel anunciou que processará o jornal The New York Times por um artigo que expõe violência sexual sistemática contra prisioneiros palestinos. O texto, assinado pelo colunista Nicholas Kristof, detalha abusos cometidos por militares, colonos e agentes penitenciários israelenses contra homens, mulheres e crianças.
A reportagem descreve agressões genitais e estupros com objetos que resultaram em hospitalizações prolongadas e cirurgias reparadoras. Um dos casos citados envolve um jornalista de Gaza detido em 2024, atacado por um cão treinado enquanto estava sob custódia israelense.
Após ser libertado, o profissional recebeu ameaças de um oficial para não divulgar o ocorrido. Kristof fundamentou sua investigação em relatos da ONU e em documentos de organizações de direitos humanos.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o chanceler Gideon Sa’ar classificaram o artigo como uma das mais graves difamações contra Israel. Ambos prometeram ações legais contra o jornal e o autor, acusando-os de disseminar falsidades.
Netanyahu afirmou que o texto ofende os soldados israelenses e estabelece uma falsa equivalência entre as Forças de Defesa de Israel e o Hamas. Ele garantiu que combaterá as acusações tanto na esfera judicial quanto na opinião pública.
O porta-voz do The New York Times, Charlie Stadtlander, defendeu a publicação, destacando que o material se baseia em pesquisas, notícias e relatórios da ONU. Stadtlander ressaltou que Kristof, vencedor do Pulitzer, coletou depoimentos diretamente com palestinos afetados na região.
Segundo o portal RT, a polêmica evidencia as tensões entre Israel e a imprensa internacional na cobertura do conflito. A ação judicial reflete a estratégia israelense de controlar narrativas sobre violações de direitos humanos em seus centros de detenção.
A Anistia Internacional e outros grupos de direitos humanos apoiam as denúncias do artigo e criticam a reação israelense como tentativa de censurar vozes críticas. A ONU já havia documentado abusos sistemáticos contra palestinos detidos, reforçando os relatos.
Netanyahu e Sa’ar mantêm que as acusações são infundadas e buscam deslegitimar as operações de segurança de Israel. O caso reacende o debate global sobre liberdade de imprensa e responsabilização em zonas de conflito.
O The New York Times reafirmou seu compromisso com o jornalismo investigativo independente, apesar das ameaças legais. A publicação ocorre em um contexto de crescente escrutínio internacional sobre as práticas de detenção israelenses desde a escalada do conflito em Gaza.
Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.
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