A China consolidou posição de liderança na agrivoltaica, tecnologia que combina geração de energia solar com atividades agrícolas, e ultrapassou os Estados Unidos em capacidade instalada. Segundo dados oficiais do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais chinês, o país atingiu mais de 200 gigawatts em projetos integrados no primeiro trimestre de 2026.
O volume chinês representa quase vinte vezes a capacidade dos EUA, que registraram cerca de 12 gigawatts no mesmo período. Enquanto a China implementa a tecnologia em larga escala como estratégia de soberania energética e alimentar, os Estados Unidos ainda concentram esforços em pesquisas acadêmicas e projetos-piloto.
O modelo chinês abrange desde painéis solares sobre tanques de piscicultura até sistemas de combate à desertificação em regiões remotas. Essa abordagem multifuncional transforma a geração fotovoltaica em ferramenta de desenvolvimento rural, reduzindo pobreza e estabilizando o abastecimento de alimentos.
Na Europa, França e Alemanha estabelecem normas rigorosas para evitar que corporações energéticas monopolizem solos férteis sem benefícios reais para a agricultura. Já o Japão endureceu regulamentações após casos de ‘agricultura de papel’, onde desenvolvedores priorizaram geração elétrica em detrimento da produção agrícola.
Estudos demonstram que a sombra parcial dos painéis solares pode reduzir a evaporação de água em até 30% e diminuir o estresse térmico em culturas como tomate, pimenta jalapeño e frutas vermelhas. No entanto, culturas de grande escala, como milho e soja, ainda enfrentam desafios logísticos devido à necessidade de maquinário pesado.
Especialistas alertam que o sucesso da agrivoltaica depende do equilíbrio entre interesses energéticos e agrícolas. Projetos bem-sucedidos exigem que agricultores mantenham controle sobre o manejo da terra e recebam participação justa nos benefícios financeiros gerados.
Leia mais sobre o assunto na cleantechnica.com.
Leia também: China X EUA: quem está à frente em tecnologia nuclear?
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.