O concurso de música Eurovision enfrenta o maior boicote de sua história durante a final em Viena. Cinco países retiraram-se em protesto contra a participação de Israel em meio à guerra na Faixa de Gaza.
Espanha, Holanda, Irlanda, Islândia e Eslovênia abandonaram a competição de forma coordenada. As emissoras nacionais desses países também se recusaram a transmitir o evento como forma de repúdio à ocupação israelense.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a decisão coloca a Espanha no lado certo da história. Sánchez tem sido um dos principais críticos das ações de Israel na Europa e lidera movimentos de reconhecimento da soberania palestina.
Cerca de dois mil manifestantes ocuparam as ruas de Viena para denunciar a normalização das ações militares israelenses. Os protestos acusaram a União Europeia de Radiodifusão (EBU) de usar o concurso para camuflar violações de direitos humanos.
A disparidade no tratamento entre países participantes gerou críticas. A EBU baniu a Rússia após o conflito na Ucrânia, mas manteve Israel na competição, apesar da guerra em Gaza.
A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, classificou a manutenção de Israel como covardia institucional. Segundo a Al Jazeera, Callamard destacou a aplicação de dois pesos e duas medidas na diplomacia cultural ocidental.
Figuras da indústria cultural, como o rapper Macklemore e a cantora Paloma Faith, assinaram carta aberta pedindo o cancelamento da participação israelense. Ambos têm usado suas plataformas para denunciar ataques contra civis em Gaza.
O Eurovision, que no ano passado alcançou 166 milhões de telespectadores, enfrenta uma crise de imagem. A interrupção da transmissão por emissoras nacionais deve reduzir a audiência e o faturamento publicitário.
A Áustria sedia a final após vencer a edição anterior. Israel terminou em segundo lugar, mas foi acusado de influenciar o sistema de votação, levando a regras mais rígidas nesta edição.
Analistas apontam que o boicote sinaliza uma perda de coesão na Europa em relação ao apoio a Israel. Governos progressistas e pressão popular transformaram o evento em um campo de batalha simbólico pelo direito internacional.
Manifestantes em Viena citaram a exclusão da Rússia de torneios esportivos como exemplo de isolamento de agressores. A resistência da EBU em agir contra Israel reforça críticas de blindagem seletiva a aliados estratégicos.
O vencedor será escolhido por votos do júri e da audiência sob forte tensão política. A edição de 2026 marcará o momento em que a geopolítica e o clamor por justiça na Palestina dividiram o entretenimento europeu.
Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.
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