Relatora especial da ONU sobre defensores de direitos humanos, Gina Romero, apresentou relatório que expõe padrão de perseguição estatal contra ativistas em El Salvador. O documento destaca a prisão arbitrária da advogada Ruth López, detida em maio de 2025 sem garantias processuais.
Romero classificou o caso como parte de uma estratégia de criminalização de vozes críticas no país. Segundo a relatora, o governo salvadorenho utiliza o sistema judicial para silenciar quem denuncia corrupção e abusos institucionais. A detenção de López ocorreu sem ordem judicial, e ela permaneceu desaparecida por 32 horas, sem acesso a familiares ou advogados.
As acusações contra a advogada foram alteradas posteriormente sem apresentação de novas provas. O processo segue em sigilo total, impedindo acompanhamento público. Antes da prisão, López coordenava investigações sobre desvios de recursos públicos pela administração estatal, tendo sido reconhecida internacionalmente por seu trabalho.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) havia concedido medidas cautelares em seu favor, mas o governo salvadorenho ignorou as determinações. Um juizado local manteve sua prisão preventiva por seis meses, enquanto a instrução processual avança sem transparência.
A defesa de López questiona a legalidade do processo, apontando ausência de provas concretas e opacidade nas decisões judiciais. Romero alertou para o risco de novas represálias contra ativistas e exigiu a restauração de um ambiente seguro para defensores de direitos humanos no país.
O caso reflete um contexto de repressão crescente em El Salvador, com aumento de detenções arbitrárias e restrições ao trabalho de jornalistas e advogados desde 2024. A relatora da ONU pediu à comunidade internacional que acompanhe de perto a situação e exija o cumprimento das obrigações internacionais do país.
Leia mais sobre o assunto na telesurtv.net.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.