Abdel Mahdi al-Wuheidi, palestino de 85 anos, observa os escombros de sua casa no campo de refugiados de Jabalia, no norte de Gaza. Ao lado de sua esposa Aziza, com quem está casado há seis décadas, ele mantém viva a memória de expulsões sucessivas promovidas por forças israelenses.
Nascido em 1940, Wuheidi vivenciou a Nakba de 1948, quando 750 mil palestinos foram expulsos de suas terras durante a fundação de Israel. Ele recorda a vida em Bir al-Saba antes da chegada das milícias sionistas Haganah, que forçaram sua família a buscar refúgio no oeste.
Segundo relato publicado pelo portal Al Jazeera, a ofensiva israelense iniciada em 2023 supera qualquer trauma vivido pelo sobrevivente. Wuheidi descreve a atual destruição como uma tentativa deliberada de apagamento da população civil em Gaza.
A família inicialmente buscou refúgio em Zeitoun, na Cidade de Gaza, antes de se estabelecer em tendas em Jabalia. A esperança de retorno rápido deu lugar a uma vida de privações, com invernos rigorosos e condições precárias nos acampamentos.
Wuheidi trabalhou na construção civil e construiu casas para sua família. A guerra recente, porém, destruiu seu patrimônio, reduzindo suas conquistas a escombros. Árvores e estruturas retorcidas são tudo o que restou.
Durante os confrontos, o casal foi forçado a fugir várias vezes. Wuheidi relata momentos de pânico quando tanques israelenses invadiram escolas da ONU usadas como abrigo. Civis foram obrigados a marchar sob mira de armas para zonas supostamente seguras.
Para o octogenário, o deslocamento forçado é a forma mais cruel de perda de dignidade. Ele descreve a fome extrema e o bombardeio incessante, que o levaram a desejar a morte diante da brutalidade contra crianças e idosos.
Wuheidi critica a omissão internacional e a falta de resposta das nações árabes. Ele afirma que o povo palestino foi abandonado contra um poderio bélico implacável, enquanto promessas de melhorias são usadas como guerra psicológica.
A atual catástrofe já dura mais de três anos, sem sinais de que o bloqueio será levantado. Mesmo diante de ofertas de asilo no exterior, ele reafirma seu compromisso com a terra natal e o direito de retorno dos refugiados.
Sua determinação em permanecer nas ruínas reflete a resistência palestina contra um novo exílio. Wuheidi simboliza gerações que vivem sob ocupação militar e violência colonial financiada por potências ocidentais.
Sua vida, marcada pela Nakba, é um testemunho contra a limpeza étnica promovida por Israel. A persistência deste sobrevivente desafia a narrativa de vitória militar e expõe o fracasso moral das potências que sustentam o conflito.
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