Em Poços de Caldas, Minas Gerais, a iminente instalação de uma mina de terras raras pela mineradora australiana Viridis tem gerado apreensão entre os moradores locais. A área destinada à exploração, de 373 hectares, está situada a apenas 300 metros de residências, escolas e hospitais, levantando preocupações sobre os impactos ambientais e sociais que podem advir da atividade mineradora.
Terras raras são minerais essenciais para a fabricação de tecnologias modernas, como carros elétricos, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos. O Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial, ainda participa pouco das etapas de maior valor agregado desses minerais. No entanto, a exploração em Poços de Caldas promete mudar esse cenário, pois a região se destaca pela alta concentração desses minérios na superfície, facilitando a extração.
A aposentada Dirce Elena da Silva Alves, que vive no Conjunto Habitacional Pedro Afonso Junqueira, expressou sua preocupação com a proximidade da mina. Ela teme pela segurança de sua neta e pela qualidade de vida da comunidade, que pode ser afetada pela poluição e mudanças na paisagem. “Mineração não é brinquedo, é um risco de vida para muitos”, desabafou Dirce.
O projeto, batizado de Colossus, prevê a movimentação de 5 milhões de toneladas de argila e a produção de 15 mil toneladas de carbonato de terras raras anualmente, com uma expectativa de 40 anos de operação. Apesar das promessas de desenvolvimento econômico, muitos moradores, como Silvia Helena, temem pelos impactos na saúde e na estrutura de suas casas, especialmente devido ao uso de substâncias químicas no processo de extração.
A organização Terra Viva, Água Rara, destaca que a área abriga 93 nascentes, das quais três podem ser extintas e outras comprometidas. A contaminação do lençol freático por amônia é outra preocupação, já que essa substância será utilizada no tratamento da argila. A advogada Jovana Moster, da Terra Viva, ressalta a necessidade de estudos independentes para avaliar os impactos da mineração e garantir que as medidas mitigatórias sejam adequadas.
Por outro lado, alguns moradores veem a mineração como uma oportunidade de desenvolvimento. A terapeuta Patrícia Chagas, após conhecer os planos da mineradora, acredita que a atividade pode trazer benefícios, desde que siga as legislações ambientais rigorosamente. O educador físico Leonardo Rodrigues de Souza também enxerga potencial de crescimento, mas destaca a importância das contrapartidas sociais e do desenvolvimento de tecnologias locais.
A mineradora Viridis anunciou investimentos de R$ 1,7 bilhão no projeto, incluindo a instalação de um laboratório de extração de terras raras e o primeiro centro de reciclagem de ímãs do hemisfério sul. A empresa afirma que medidas de controle, como umidificação das vias e barreiras de árvores, serão implementadas para minimizar os impactos ambientais. Segundo a Viridis, nenhum dos 98 cursos d’água mapeados será extinto, mas três terão seus cursos alterados.
O secretário de Meio Ambiente de Poços de Caldas, Stefano Zincone, garantiu que o município está atento aos riscos e impactos ambientais. O governo estadual, responsável pelo licenciamento, ainda está analisando os estudos apresentados. Enquanto isso, a Câmara Municipal acompanha o processo de instalação da mina através de uma comissão especial.
A exploração de terras raras em Poços de Caldas representa um dilema entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. A comunidade local, dividida entre o progresso e a proteção de seu modo de vida, aguarda com expectativa os desdobramentos desse empreendimento. Conforme reportagem do G1, a questão ainda gera debates intensos entre os moradores.
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