O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) lançaram recentemente, em São Paulo, o projeto IARAA, que significa Inteligência Artificial da Reforma Agrária e Agroecologia. Desenvolvido com tecnologia chinesa, o projeto visa democratizar o acesso ao conhecimento agroecológico, com foco nos trabalhadores da agricultura familiar. A ferramenta está disponível no site da Associação Internacional para Cooperação Popular (Baobab), que integra países e movimentos sociais do Sul Global.
A IARAA se diferencia dos modelos ocidentais de inteligência artificial e do agronegócio industrial, oferecendo três modelos distintos: Semeadura, Mutirão e Quintal Produtivo. O modelo Semeadura responde de forma simples a perguntas sobre práticas cotidianas de cultivo, enquanto o Mutirão presta assistência técnica e compartilha metodologias de trabalho em grupo. Já o Quintal Produtivo é voltado para o estudo e pesquisa aprofundada, sempre citando as fontes das informações compartilhadas.
João Pedro Stédile, fundador e integrante da Coordenação Nacional do MST, destacou a importância do lançamento, afirmando que a iniciativa busca revolucionar os métodos políticos e acelerar mudanças no sistema econômico. Ele ressaltou a aliança com a China, que permitiu a transferência de tecnologia para o Brasil, e criticou a mídia tradicional por não reconhecer o papel do Partido Comunista na modernização chinesa. Stédile enfatizou que a agricultura digital deve ser usada para produzir alimentos saudáveis e respeitar a natureza, em oposição ao agronegócio que visa lucro e exploração.
A elaboração da IARAA é liderada por Tica Moreno, da Coordenação Nacional da MMM, que explicou que o modelo segue o padrão de código aberto do DeepSeek chinês. A IARAA utiliza uma grande biblioteca digital baseada no conhecimento produzido por movimentos e organizações populares, evitando recomendações de agrotóxicos. Moreno alertou que a ferramenta ainda está em desenvolvimento e pode apresentar problemas, mas que é essencial lançá-la para participar das discussões políticas atuais.
O manifesto lançado junto com a ferramenta reforça o objetivo de fortalecer as organizações populares na construção da soberania alimentar. A IARAA se propõe a superar o modelo do agronegócio e enfrentar os desafios impostos pelo capital na luta de classes. A iniciativa surge da colaboração entre movimentos populares e instituições de pesquisa do Sul Global, consolidando uma rede de articulação tecnológica voltada para a agroecologia e a questão agrária.
Com a IARAA, o MST e a MMM avançam na democratização da inteligência artificial, utilizando-a como uma ferramenta na luta por soberania digital e alimentar. A expectativa é que a tecnologia contribua para a construção de um projeto estratégico popular, integrando os povos da região e utilizando o que há de mais avançado no desenvolvimento das forças produtivas atuais.
Para mais informações, acesse o Opera Mundi.
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