Estudo revela que política influencia mais que credenciais na confiança em especialistas

Ilustração editorial sobre Estudo revela que política influencia mais que credenciais na confiança em especialistas. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Um estudo publicado na revista Scientific Reports revela que, nos Estados Unidos, a política tem papel mais significativo do que as credenciais na forma como as pessoas julgam a expertise de um especialista. A pesquisa, liderada por Mertcan Güngör, doutorando em psicologia na Universidade da Califórnia, Irvine, envolveu mais de 2.400 participantes e destacou que a concordância política supera a importância de qualificações acadêmicas e experiência profissional.

O estudo foi dividido em três partes. Inicialmente, 208 participantes indicaram os fatores que consideram importantes ao avaliar um especialista em temas variados, como cuidados com a pele e nutrição.

Os resultados mostraram que graus acadêmicos relevantes, experiência em pesquisa e reconhecimento dos pares eram vistos como sinais de expertise. Características superficiais como altura e aparência foram consideradas menos importantes.

Na segunda fase, 498 participantes foram expostos a biografias fictícias de especialistas, onde as credenciais foram sistematicamente alteradas. Os resultados confirmaram que as pessoas tendem a confiar mais em especialistas com formação acadêmica relevante e experiência comprovada.

Diplomas de universidades de prestígio e grandes seguidores nas redes sociais também influenciaram a confiança, embora em menor grau. A terceira e mais reveladora parte do estudo envolveu 1.776 participantes que leram biografias de um pesquisador fictício que havia escrito um livro sobre aborto.

O pesquisador era descrito como altamente qualificado ou pouco qualificado, e suas opiniões sobre aborto variavam entre pró-escolha, pró-vida ou não declaradas. A pesquisa mostrou que a concordância política era mais influente do que as credenciais, com os participantes confiando tanto em um engenheiro mecânico que compartilhasse suas opiniões quanto em um médico cujas opiniões fossem desconhecidas.

Esses achados desafiam a narrativa popular de que há uma desconfiança generalizada em relação a cientistas e autoridades credenciadas. Segundo Güngör, as pessoas não estão abandonando o conceito de expertise, mas sim procurando especialistas que já concordem com suas visões políticas.

Isso leva a um fenômeno preocupante, onde a confiança em um especialista pode resultar em uma avaliação inflada de suas credenciais. Os autores do estudo sugerem que reconhecer esse viés e melhorar a compreensão pública sobre o que constitui uma verdadeira expertise são passos iniciais para abordar o problema.

Desvincular a confiança na expertise da identidade política pode ser um desafio mais complexo do que qualquer intervenção isolada poderia resolver. Para mais detalhes, consulte o estudo completo publicado pelo portal Phys.org.


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