Pesquisadores da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, desenvolveram um adesivo de microagulhas que elimina a necessidade de injeções tradicionais na vacinação contra a febre aftosa. A tecnologia promete revolucionar a logística do setor agropecuário, simplificando a distribuição em regiões remotas e com infraestrutura limitada.
O sistema utiliza um gel à base de açúcar para estabilizar o imunizante, permitindo armazenamento em temperatura ambiente por semanas sem perda de eficácia. Segundo estudo publicado na revista Advanced Healthcare Materials, o avanço é crucial para países dependentes da exportação de proteína animal, onde a febre aftosa ainda impõe barreiras sanitárias.
O engenheiro biomédico Thanh Nguyen explicou que o adesivo cria microcanais na pele do animal, facilitando a absorção do imunizante. Nguyen destacou que o método é simples: qualquer produtor rural pode aplicá-lo sem treinamento especializado, removendo apenas a proteção e pressionando o dispositivo sobre a pele do rebanho.
A pós-doutoranda Parbeen Singh, integrante da equipe, colaborou com especialistas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Singh revelou que testes com diferentes tipos de açúcares identificaram a sacarose como a mais eficiente para preservar a estrutura do vírus sob calor extremo, garantindo estabilidade mesmo em condições adversas.
A febre aftosa continua sendo uma das maiores ameaças econômicas para nações agroexportadoras. Estudos indicam que um surto de grande escala poderia exigir o abate de até 30% do gado nacional, gerando prejuízos que ultrapassariam 220 bilhões de dólares em perdas diretas e indiretas.
As vacinas convencionais enfrentam desafios logísticos, como a dependência de cadeias de frio rigorosas. Além disso, as injeções tradicionais frequentemente causam inflamações e cicatrizes nos animais, reduzindo o valor comercial da carne no momento do abate.
Os adesivos foram submetidos a testes extremos, incluindo exposição a 45 graus Celsius por um mês. Mesmo nessas condições, o gel de açúcar manteve a potência da vacina intacta, comprovando resistência a variações climáticas severas.
Testes iniciais com camundongos demonstraram que o adesivo induz a mesma produção de anticorpos que as vacinas injetáveis tradicionais. A ausência de inchaços, cicatrizes ou reações alérgicas no local da aplicação foi um dos principais diferenciais observados.
O próximo passo envolve testes controlados em animais de grande porte, como suínos, para validar a eficácia em condições reais. Os cientistas também planejam analisar outros aspectos da resposta imunológica para assegurar viabilidade comercial.
O estudo consolida a inovação como um marco na saúde animal, fortalecendo a soberania sanitária de países agroexportadores e reduzindo a dependência de infraestruturas complexas de refrigeração.
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