Vírus gigantes em algas marinhas redefinem conceitos da virologia

Imagem microscópica mostra vírus gigantes dentro de algas marinhas. (Foto: phys.org)

Pesquisadores do Instituto Max Planck de Biologia, em Tübingen, na Alemanha, descobriram que vírus gigantes podem permanecer latentes no genoma de algas marinhas por gerações antes de serem reativados sob condições específicas. O estudo, publicado na revista Nature Microbiology, revela um mecanismo inédito de persistência viral em organismos multicelulares.

Esses vírus, cujos genomas superam o tamanho de muitas bactérias, exercem influência crucial nos ecossistemas oceânicos ao infectar algas e micróbios. Segundo a equipe, o genoma da alga Ectocarpus abriga sequências virais completas e funcionais, conhecidas como elementos virais endógenos gigantes. A descoberta foi detalhada em reportagem da Phys.org.

A pesquisadora Carole Duchêne explicou que esses elementos não são vestígios genéticos, mas vírus ativos e regulados, capazes de se integrar ao hospedeiro e persistir por linhagens sucessivas. A reativação ocorre de forma controlada, vinculada ao estágio reprodutivo da alga e à temperatura ambiente.

Quando ativados, os vírus sequestram estruturas celulares para produzir partículas infecciosas, impedindo a formação normal de gametas e esporos. Fora dessas condições, permanecem latentes e indetectáveis. A equipe utilizou técnicas avançadas, como sequenciamento de genoma de leitura longa e edição genética CRISPR/Cas, para desvendar o mecanismo.

A diretora do departamento, Susana Coelho, destacou que o vírus pode ser transmitido verticalmente, por meio do DNA, ou horizontalmente, através de partículas infecciosas. Esse modelo de latência e reativação periódica representa um marco científico, nunca antes documentado para vírus gigantes em eucariotos multicelulares.

As algas castanhas, terceiro organismo multicelular mais complexo do planeta, são fundamentais nos ecossistemas costeiros. Compreender como esses vírus moldam sua evolução é essencial, especialmente diante das mudanças climáticas globais. Os achados abrem novas perspectivas para estudar mecanismos de sobrevivência viral em hospedeiros complexos.

A pesquisa sugere que outros vírus de DNA de fita dupla podem empregar estratégias semelhantes, integrando-se à vida de seus hospedeiros de forma transmissível. Os resultados oferecem ferramentas para investigar como invasores biológicos se tornam parte do ciclo reprodutivo de organismos vivos.

Leia mais sobre o assunto na phys.org.


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