A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra que Flávio Bolsonaro passou a despertar mais medo no eleitorado do que a própria reeleição de Lula.
Segundo o levantamento, 47,4% dos brasileiros dizem ter mais medo ou preocupação com uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro em 2026. Outros 40,5% afirmam temer mais a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais 11% dizem se preocupar igualmente com os dois cenários, enquanto apenas 1% não soube responder.
O dado é politicamente forte porque mede uma dimensão mais emocional da disputa. Não se trata apenas de intenção de voto, mas de rejeição afetiva, medo de futuro e percepção de risco. Em eleições polarizadas, esse tipo de sentimento pesa tanto quanto preferência partidária.
A pesquisa ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio de 2026, por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O período de coleta coincide com a explosão do caso Daniel Vorcaro, que atingiu Flávio Bolsonaro no momento em que ele tentava se consolidar como principal nome da direita para enfrentar Lula.
A mudança em relação ao levantamento anterior é expressiva. Em abril, a Atlas havia mostrado um quadro quase invertido: 47,3% diziam temer mais a reeleição de Lula, enquanto 45,4% apontavam medo de uma vitória de Flávio. Agora, após o caso Vorcaro, o temor ligado ao senador ultrapassou o medo da continuidade de Lula.
Esse deslocamento ajuda a explicar a queda eleitoral de Flávio nas pesquisas mais recentes. Na mesma rodada AtlasIntel/Bloomberg, Lula aparece com 48,9% em um eventual segundo turno, contra 41,8% do senador. Em abril, Flávio liderava numericamente por 47,8% a 47,5%. Ou seja, a disputa saiu de empate para uma vantagem de 7,1 pontos do presidente.
No primeiro turno, Lula também lidera com 47%, contra 34,3% de Flávio. Renan Santos aparece com 6,9%, Romeu Zema tem 5,2% e Ronaldo Caiado registra 2,7%. A combinação entre liderança de Lula e queda de Flávio reforça a leitura de que o escândalo do Banco Master produziu dano eleitoral concreto.
O caso ganhou força após a revelação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades, afirma que se tratava de patrocínio privado e diz que não ofereceu contrapartida política.
Mas a política não se move apenas pelo campo jurídico. O problema para Flávio é que a associação com Vorcaro atravessou a bolha da imprensa e chegou à percepção popular. A Atlas também mostrou que 51,7% dos entrevistados veem o senador envolvido com o caso Master após as conversas com o banqueiro. Esse número ajuda a explicar por que o medo de sua eleição cresceu.
O bolsonarismo vinha tentando vender Flávio como herdeiro natural de Jair Bolsonaro. A pesquisa, porém, mostra que essa herança carrega custo elevado. O sobrenome mobiliza a base fiel, mas também aciona rejeição, medo e desconfiança em setores decisivos do eleitorado.
Esse é o ponto mais perigoso para a direita. Uma candidatura presidencial precisa atravessar o núcleo duro e convencer eleitores moderados. Quando quase metade do país diz sentir mais medo de uma vitória de Flávio do que da reeleição de Lula, a campanha bolsonarista passa a enfrentar um teto eleitoral difícil de romper.
A comparação com Lula também é reveladora. O presidente tem rejeição alta, enfrenta desgaste de governo e ainda carrega a polarização nacional. Mesmo assim, neste momento, Flávio desperta temor maior. Isso indica que o caso Vorcaro pode ter mudado o eixo emocional da disputa.
Para Lula, o dado oferece uma vantagem estratégica. A eleição deixa de ser apenas um plebiscito sobre seu governo e passa a ser também um julgamento sobre o risco de entregar o país ao bolsonarismo em meio a um escândalo financeiro envolvendo seu principal candidato.
Para Flávio, o desafio é mais grave. Ele não precisa apenas explicar conversas, valores milionários e relação com Vorcaro. Precisa reduzir o medo que sua candidatura passou a provocar em uma parcela ampla do eleitorado.
A Atlas mostra que o caso Master não produziu apenas queda em intenção de voto. Produziu dano de imagem, aumento de temor e perda de confiança. Em uma eleição de segundo turno, esses fatores podem ser decisivos.
O recado da pesquisa é claro: Flávio Bolsonaro ainda tem base, voto e presença nacional, mas passou a carregar uma marca perigosa. Para quase metade dos brasileiros, sua vitória virou o cenário que mais preocupa. E, em política, quando o medo cresce antes da campanha começar, a candidatura deixa de ser promessa e passa a ser risco.


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