Pesquisadores da Universidade de Genebra (UNIGE) fizeram um avanço significativo no entendimento das interações entre proteínas que regulam a morte celular programada, conhecida como apoptose. O estudo, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, revelou pela primeira vez a estrutura e dinâmica de como a proteína ‘guardião’ Bcl-xL impede a ação da proteína ‘assassina’ tBid, crucial para o desenvolvimento de terapias mais seletivas contra o câncer.
O equilíbrio entre proteínas que promovem a sobrevivência celular e aquelas que desencadeiam a apoptose é vital para a saúde dos organismos. Quando esse equilíbrio é perturbado, pode resultar em doenças como o câncer. Segundo o portal phys.org, a pesquisa da UNIGE oferece uma visão molecular detalhada desse processo, possibilitando o desenvolvimento de moléculas que possam interromper especificamente essa interação, induzindo a morte de células cancerígenas.
O estudo utilizou ressonância paramagnética eletrônica (EPR) e simulação molecular para analisar como a proteína Bcl-xL se liga à proteína pró-apoptótica tBid, inibindo a apoptose na membrana externa mitocondrial. Essa descoberta é crucial, pois as terapias anticâncer atuais que visam o controle da apoptose carecem de seletividade, afetando tecidos saudáveis e cancerosos indiscriminadamente.
Christina Elsner, pesquisadora de pós-doutorado no grupo do Professor Enrica Bordignon, explicou que antes da pesquisa, o mecanismo de inibição das proteínas ‘assassinas’ pelas ‘guardians’ era desconhecido. A nova compreensão das interações dinâmicas entre essas proteínas pode guiar o desenvolvimento de agentes terapêuticos mais precisos, com menos efeitos colaterais.
A pesquisa destaca a importância de compreender a base molecular do complexo guardião-assassino para criar terapias que possam interromper essa interação, induzindo apoptose em células cancerosas ou estabilizá-la para proteger células em doenças neurodegenerativas. Anton Hanke, doutorando no grupo do Professor Francesco Gervasio, enfatizou que a combinação de métodos usados no estudo fornece uma visão abrangente da estrutura e dinâmica das proteínas envolvidas.
Esses avanços podem levar ao desenvolvimento de terapias mais seletivas, capazes de induzir a morte de células cancerígenas ou proteger células em condições de morte celular excessiva, como em doenças neurodegenerativas. A pesquisa da UNIGE abre caminho para uma nova era de tratamentos mais eficazes e com menos efeitos adversos.
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