Proteína SIRT6 reverte envelhecimento em camundongos, aponta estudo

Pesquisador em laboratório manuseia equipamentos científicos. (Foto: phys.org)

Pesquisadores da Universidade Bar-Ilan, em Israel, conseguiram restaurar padrões juvenis de organização do DNA em fígados de camundongos idosos, revertendo características moleculares associadas ao envelhecimento. O estudo, publicado na Nature Communications, destaca a proteína SIRT6 como um poderoso protetor contra a degradação relacionada à idade na cromatina, o complexo sistema que embala o DNA e controla a ativação dos genes.

Os resultados sugerem que o envelhecimento não é apenas um processo passivo de desgaste, mas pode ser impulsionado por mudanças reversíveis na forma como o DNA é organizado dentro das células. O DNA nas células é compactamente dobrado e embalado em cromatina, uma estrutura que atua como um sistema de controle biológico para a atividade genética. Utilizando ferramentas avançadas para estudar a organização do DNA e a atividade genética, os pesquisadores examinaram múltiplas mudanças moleculares nos fígados de camundongos jovens e idosos. Descobriram que o envelhecimento perturba a arquitetura da cromatina no fígado, causando a hiperatividade de vias inflamatórias enquanto enfraquece os programas metabólicos que definem o tecido hepático saudável.

“À medida que envelhecemos, o genoma perde sua organização adequada”, afirmou o professor Haim Cohen, diretor do Sagol Healthy Human Longevity Center na Universidade Bar-Ilan, que liderou o estudo. “Genes que deveriam permanecer silenciosos são ativados, especialmente genes inflamatórios, enquanto genes necessários para a função normal do fígado começam a se desligar.”

Notavelmente, quando os cientistas aumentaram os níveis de SIRT6 em camundongos já idosos, muitas dessas alterações na cromatina relacionadas à idade foram revertidas. “O que descobrimos é que a SIRT6 pode ajudar a reverter esse processo. Em termos simples, pegamos um fígado velho e restauramos sua organização de DNA para um estado muito mais jovem”, explicou Cohen.

Os pesquisadores também identificaram um marcador de cromatina específico conhecido como H3K9ac, que parece estar intimamente ligado à abertura da cromatina relacionada à idade e à ativação inflamatória. A SIRT6 ajudou a restaurar um padrão de cromatina mais jovem nesses locais.

O estudo adiciona uma nova camada importante às descobertas anteriores que mostram que a SIRT6 promove longevidade e envelhecimento saudável. Em vez de se concentrar em doenças individuais, as novas descobertas apontam para a possibilidade de direcionar um dos mecanismos biológicos fundamentais do envelhecimento: a perda da regulação adequada do genoma.

“Isso é empolgante porque sugere que o envelhecimento pode ser mais plástico do que acreditávamos”, disse Cohen. “Se pudermos restaurar a organização saudável da cromatina, poderemos eventualmente preservar a função dos tecidos, reduzir a inflamação e melhorar a saúde durante o envelhecimento.”

A pesquisa foi conduzida por estudantes de doutorado Ron Nagar e Zacharia Schwartz, da Mina and Everard Goodman Faculty of Life Sciences e do Sagol Healthy Human Longevity Center na Universidade Bar-Ilan, juntamente com colaboradores da Universidade de Tel Aviv e do National Institute on Aging, incluindo o professor Rafael de Cabo e sua equipe.

Embora o trabalho ainda esteja na fase de pesquisa básica em camundongos, os pesquisadores acreditam que ele abre uma nova direção importante no campo emergente da biologia da rejuvenescimento — o esforço para reverter aspectos fundamentais do próprio envelhecimento. Para mais detalhes sobre a pesquisa, acesse o portal Phys.org.


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