A nova pesquisa Genial/Quaest mostra que a reeleição de Lula aparece como o cenário considerado mais positivo para o Brasil em 2026.
Segundo o levantamento divulgado nesta terça-feira, 19 de maio, 32% dos brasileiros dizem que um novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria o melhor resultado para o país. A volta da família Bolsonaro ao poder aparece em segundo lugar, com 24%. Outros 22% preferem a vitória de um candidato outsider, fora da política tradicional, enquanto 16% apontam um nome moderado fora da polarização. Mais 6% não souberam responder.
O dado é importante porque não mede apenas intenção de voto. Ele mede percepção de futuro. A pergunta feita pela Quaest foi: “Qual você diria que seria o melhor resultado para o Brasil?”. Nesse tipo de levantamento, o eleitor responde menos sobre campanha e mais sobre qual caminho político considera mais seguro, desejável ou aceitável para o país.
A vantagem de Lula também mostra movimento de recuperação. Em março, 30% apontavam sua reeleição como o melhor cenário. Em abril, o índice havia caído para 29%. Agora, subiu para 32%. Já a opção pela volta da família Bolsonaro oscilou de 26% em março para 23% em abril e chegou a 24% em maio.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa revela um país ainda dividido, mas com um sinal claro: a continuidade de Lula aparece numericamente à frente tanto do retorno bolsonarista quanto das alternativas fora da polarização. A soma dos que preferem outsider ou nome moderado chega a 38%, mostrando que há uma parcela expressiva do eleitorado buscando uma terceira saída. Ainda assim, esses desejos aparecem fragmentados, enquanto Lula concentra sozinho 32%.
Nos recortes sociais, a vantagem do presidente se apoia em segmentos específicos. Entre as mulheres, 33% dizem que a reeleição de Lula seria o melhor resultado, contra 20% que preferem a volta da família Bolsonaro. Entre os homens, Lula aparece com 31%, enquanto o clã Bolsonaro chega a 28%, uma diferença menor.
A idade também pesa. Entre eleitores com 60 anos ou mais, 41% consideram um novo mandato de Lula o melhor cenário para o Brasil. Entre jovens de 16 a 34 anos, o quadro é mais fragmentado: 25% preferem um outsider, 24% defendem a volta da família Bolsonaro, 23% optam por um moderado fora da polarização e 22% escolhem Lula.
O recorte religioso mostra uma das maiores divisões da política brasileira. Entre católicos, 41% apontam a reeleição de Lula como melhor resultado, enquanto 18% defendem a volta da família Bolsonaro. Entre evangélicos, ocorre o inverso: 39% preferem o retorno do clã Bolsonaro, contra 17% que apontam a continuidade de Lula.
A renda também reorganiza o mapa eleitoral. Entre brasileiros com renda familiar de até dois salários mínimos, 41% avaliam que a reeleição de Lula seria o melhor cenário, contra 19% que preferem a volta da família Bolsonaro. Já entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, o clã Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 29%, contra 24% de Lula.
Esses números ajudam a explicar por que a disputa de 2026 continua estruturada por classe, religião, região e percepção econômica. Lula mantém força entre os mais pobres, mulheres, idosos e católicos. O bolsonarismo conserva maior resistência entre evangélicos, homens e eleitores de renda mais alta.
O cenário da Quaest também precisa ser lido junto com outras pesquisas recentes. No levantamento eleitoral divulgado pela Quaest em maio, Lula apareceu com 39% no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, os dois ficaram tecnicamente empatados, com Lula numericamente à frente por 42% a 41%.
Já a AtlasIntel/Bloomberg, feita depois da repercussão das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, mostrou Lula com vantagem maior. Segundo a Reuters, Lula venceria Flávio por 48,9% a 41,8% em um eventual segundo turno. No primeiro turno, Lula teria 47%, contra 34,3% de Flávio.
A diferença entre as pesquisas mostra um ponto central: a sucessão presidencial ainda está em movimento. A Quaest captou um cenário de preferência mais estrutural, no qual Lula aparece como o resultado mais desejado por 32%. A Atlas, por sua vez, mediu intenção de voto depois de uma crise específica que atingiu Flávio Bolsonaro e ampliou a vantagem do presidente.
Para Lula, o dado da Quaest é positivo porque mostra recuperação gradual e liderança na pergunta sobre o melhor resultado para o país. Mas não elimina desafios. A soma dos que preferem alternativas fora da polarização, outsider ou moderado, mostra que existe cansaço com o confronto permanente entre lulismo e bolsonarismo.
Para a direita bolsonarista, o número é um alerta. A volta da família Bolsonaro aparece com 24%, oito pontos abaixo da reeleição de Lula. O clã ainda mantém uma base relevante, mas enfrenta dificuldade para se apresentar como melhor caminho para a maioria.
A pesquisa indica que 2026 não será apenas uma disputa entre nomes. Será uma disputa entre continuidade, retorno e tentativa de ruptura com a polarização.
Neste momento, a continuidade de Lula aparece na frente. A volta do clã Bolsonaro mantém peso, mas abaixo do presidente. E a terceira via existe como desejo difuso, ainda sem um nome capaz de concentrar esse sentimento em escala nacional.