Nas profundezas inóspitas da Antártica, um submarino robótico autônomo, conhecido como Ran, desvendou mistérios ocultos sob a geleira Dotson. No entanto, após percorrer aproximadamente dez milhas em direção ao centro da plataforma de gelo, o veículo perdeu contato, deixando apenas um rastro de descobertas intrigantes.
O projeto, liderado por Anna Wåhlin, professora de física oceanográfica da Universidade de Gotemburgo, visava mapear as complexidades do derretimento glacial. Durante 27 dias, Ran navegou sob o gelo flutuante, revelando um mundo subaquático que desafia os modelos simplistas de derretimento.
Com o auxílio de sonar, o submarino mapeou 54 milhas quadradas do lado inferior da plataforma de gelo Dotson, revelando platôs planos, degraus em terraços e depressões em forma de lágrima, todos esculpidos pelo derretimento basal. Essas formações permaneciam invisíveis nas imagens de satélite, tornando a missão de Ran uma janela rara para o funcionamento oculto do derretimento antártico.
Em meio a essas descobertas, o Ran encontrou um contraste marcante entre o lado leste, mais espesso e de derretimento lento, e o lado oeste, mais fino e de derretimento rápido. A água quente, proveniente da Corrente Circumpolar Profunda, concentra sua erosão no lado oeste, enquanto a água mais fria protege o flanco leste.
Os mapas subglaciais indicam que esse influxo quente direciona a erosão, criando superfícies lisas com sulcos onde a turbulência de cisalhamento impulsiona o derretimento rápido. Em outras áreas, os platôs em terraço podem registrar surtos de água ligeiramente mais quente, lentamente descascando camadas de gelo ao longo de muitos anos.
Além das formações, Ran também capturou fraturas de espessura total que cortam a plataforma de gelo, muitas delas alargadas e suavizadas em suas bases pelo derretimento. Registros de satélite mostram que algumas dessas rachaduras estão abertas desde a década de 1990, com as fraturas mais antigas carregando as cicatrizes de derretimento mais profundas.
Essas fendas estreitas, onde a água se movimenta rapidamente, podem canalizar calor extra contra as paredes de gelo, transformando fraturas em vias ocultas para a perda de gelo. No entanto, quando Ran não apareceu no ponto de coleta, tentativas de contato falharam e buscas não encontraram sinais ou destroços.
Apesar da perda, as missões anteriores de Ran transformaram a visão da equipe sobre como gelo e oceano interagem nessa cavidade remota. Para Wåhlin, ver Ran desaparecer nas profundezas escuras e desconhecidas sob o gelo, executando suas tarefas por mais de 24 horas sem comunicação, foi uma experiência assustadora.
As descobertas enviadas por Ran são uma janela rara para a maquinaria oculta do derretimento, lembrando aos cientistas quanto ainda permanece inexplorado. Incorporar esses dados em modelos deve ajudar a refinar as previsões de quão rapidamente a Antártica Ocidental pode perder gelo em futuros climas.
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