A startup Boston Metal arrecadou $75 milhões em novo financiamento para produzir metais estratégicos, segundo apontou o portal MIT Technology Review. A empresa, conhecida por seus esforços para despoluir a produção de aço, enfrenta um momento crucial quando o apoio à descarbonização industrial tem diminuído nos Estados Unidos.
A Boston Metal tem trabalhado com sua tecnologia para outros metais além do aço. Uma subsidiária no Brasil está montando uma instalação comercial para produzir nióbio, tântalo e estanho.
O financiamento ajudará a operação dessa planta e futuros projetos para metais críticos como vanádio, níquel e cromo, afirmou o CEO Tadeu Carneiro.
A tecnologia central da empresa é a eletrólise de óxido fundido (MOE). Ela envolve passar corrente elétrica através de um reator cheio de minério dissolvido em eletrólito fundido.
A eletricidade aquece tudo a cerca de 1.600°C e provoca reações químicas que separam o metal desejado do minério.
No início de 2025, a Boston Metal completou o maior teste de sua célula piloto industrial em Woburn, Massachusetts. Ela produziu cerca de uma tonelada de aço.
O foco atual, no entanto, está na produção de outros metais. São mais valiosos e com maior preço de mercado.
A subsidiária brasileira está testando e iniciando uma planta de escala industrial. Ela processa material de baixa qualidade e produz uma mistura de metais estratégicos.
O nióbio, por exemplo, é usado em ligas de aço, motores de jato e ímãs supercondutores de scanners de ressonância magnética.
O tântalo é aplicado em aeroespacial, como bocais de foguetes e lâminas de turbinas. Ele também é usado em dispositivos médicos e eletrônicos.
A construção da planta no Brasil começou em 2024 e levou cerca de 18 meses. A empresa enfrentou desafios que adiaram o início oficial das operações.
Em janeiro, ocorreu um problema com o sistema refratário. É equipamento que isola o reator e previne corrosão.
Isso causou vazamento de eletrólito. Os operadores desligaram o sistema e removeram o metal, sem haver feridos ou problemas ambientais, segundo Carneiro.
O vazamento interferiu na cronologia da abertura da planta. A empresa perdeu um financiamento comprometido.
A Boston Metal reestruturou e demitiu 71 funcionários em abril. O novo financiamento ajudará a manter a planta em funcionamento.
p>Devido ao atraso, tivemos grande estresse em nosso fluxo de caixa. Por isso os investidores vieram nos apoiar fortemente, disse Carneiro.
A Boston Metal está reparando a instalação no Brasil. Ela deve estar pronta para iniciar as operações em setembro de 2026.
O financiamento também apoiará outros projetos de metais críticos. A empresa planeja eventualmente implantar uma planta nos Estados Unidos para produzir cromo.
É metal do qual o país importa quase toda sua atual oferta.
A Boston Metal já levantou mais de $500 milhões no total. O último round inclui apoio de investidores existentes e da gigante indiana de aço Tata Steel Unlimited.
Produzir um metal crítico de maior valor agora pode ajudar a Boston Metal a provar sua tecnologia. Ela abrirá caminho para futuros projetos de aço, afirmou Seaver Wang, diretor de clima e energia no Breakthrough Institute.
Ninguém quer pagar um prêmio verde pelo aço — daí o nióbio, acrescentou.
A empresa tem enfrentado desafios significativos. Incluindo um acidente industrial no Brasil que causou problemas de fluxo de caixa.
O novo investimento deve dar à empresa a sustentação necessária. Ela continuará seu trabalho inovador na produção de metais estratégicos.
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