Menu

Quaest mostra apoio a controle estatal das terras raras e revela nova consciência sobre soberania mineral

0 Comentários🗣️🔥 A maioria relativa dos brasileiros defende que o Estado tenha controle direto sobre a exploração de terras raras e minerais críticos no país. Pesquisa Genial/Quaest mostra que 45% dos entrevistados apoiam o controle estatal sobre esses recursos estratégicos. Outros 30% defendem que a exploração seja feita por empresas privadas com regulação do governo. […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

A maioria relativa dos brasileiros defende que o Estado tenha controle direto sobre a exploração de terras raras e minerais críticos no país.

Pesquisa Genial/Quaest mostra que 45% dos entrevistados apoiam o controle estatal sobre esses recursos estratégicos. Outros 30% defendem que a exploração seja feita por empresas privadas com regulação do governo. Apenas 10% preferem exploração privada sem intervenção estatal, enquanto 15% não souberam responder.

O dado é politicamente relevante porque mostra que o debate sobre soberania mineral deixou de ser restrito a especialistas, geólogos e militares. Ele chegou à opinião pública em um momento em que terras raras viraram peça central da disputa tecnológica entre Estados Unidos, China e Europa.

Terras raras são um grupo de minerais usados em ímãs permanentes, motores de carros elétricos, turbinas eólicas, smartphones, equipamentos médicos, satélites, radares, semicondutores e sistemas de defesa. Não são chamadas de “raras” porque inexistem em grande quantidade, mas porque sua separação, refino e processamento exigem tecnologia complexa e cadeia industrial sofisticada.

O Brasil ocupa posição estratégica nesse tabuleiro. Segundo a Agência Brasil, com base em dados do Serviço Geológico do Brasil e do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o país possui cerca de 21 milhões de toneladas em reservas de terras raras, o equivalente a aproximadamente 23% das reservas globais. Isso coloca o Brasil como a segunda maior reserva do mundo, atrás da China.

A maior parte dessas ocorrências está concentrada em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. Ou seja, o país não está diante de uma oportunidade marginal. Está sentado sobre uma base mineral que pode influenciar cadeias globais de energia limpa, defesa, indústria digital e mobilidade elétrica.

A pesquisa Quaest, portanto, capta uma percepção importante: parte expressiva da população não quer que esses recursos sejam tratados apenas como mercadoria para exportação bruta. O apoio ao controle estatal indica preocupação com soberania, agregação de valor e proteção contra a entrega de minerais estratégicos a interesses externos.

Esse debate ganhou força porque o mundo percebeu o tamanho da dependência da China. A Agência Internacional de Energia informa que, em 2024, a China respondeu por 60% da produção mineral global de terras raras usadas em ímãs e por 91% do refino desses materiais. A concentração é ainda maior na produção de ímãs permanentes, etapa essencial para veículos elétricos, turbinas e equipamentos militares.

É no refino que está o poder real. Ter reserva mineral é importante, mas não basta. Países que apenas extraem e exportam matéria-prima continuam dependentes de quem domina separação química, metalurgia, ligas, ímãs e aplicação industrial.

A própria União Europeia já se movimenta para reduzir essa vulnerabilidade. Nesta quarta-feira, 20 de maio, a Reuters informou que o bloco selecionou minerais como tungstênio e terras raras para seu primeiro estoque conjunto de matérias-primas críticas, numa tentativa de diminuir a dependência chinesa em setores como defesa, semicondutores e energia renovável.

Os Estados Unidos também enfrentam o mesmo problema. A Reuters registrou que os controles chineses sobre exportações de minerais críticos, adotados em 2025, afetaram elementos como ítrio, escândio e índio, usados em turbinas, chips, tecnologias ópticas e aplicações aeroespaciais. Mesmo após conversas com Washington, Pequim não aceitou desmontar seu regime de controle.

Esse contexto mostra por que o dado da Quaest importa. Quando 45% dos brasileiros defendem controle estatal, a população parece intuir algo que as grandes potências já entenderam: minerais críticos não são commodities comuns. São infraestrutura de poder.

Para o Brasil, o risco é repetir erros históricos. O país já exportou minério, petróleo bruto, grãos e outros recursos naturais sem sempre conseguir capturar a maior parte do valor industrial. Com terras raras, a escolha será parecida: vender o recurso bruto ou construir uma cadeia nacional capaz de processar, refinar, fabricar componentes e abastecer setores de alta tecnologia.

O Ministério de Minas e Energia trata terras raras como parte da agenda de minerais críticos. Guia oficial do governo inclui esses materiais entre os alvos de investimentos estratégicos ao lado de lítio, níquel, cobalto, grafite, nióbio, tungstênio, urânio, potássio e outros insumos considerados importantes para transição energética, segurança alimentar e indústria.

Esse ponto aproxima a pauta mineral da política industrial. Não se trata apenas de abrir minas. Trata-se de decidir quem controla o recurso, quem financia a pesquisa, quem domina o refino, quem fabrica ímãs, quem desenvolve aplicações e quem fica com a maior parte do valor agregado.

A defesa de controle estatal não significa necessariamente estatização total. Pode significar participação direta do Estado, regras rígidas de concessão, exigência de conteúdo local, proteção ambiental, transferência de tecnologia, participação da Petrobras, da Vale, do BNDES, de universidades e de empresas nacionais em uma estratégia coordenada.

O que a pesquisa mostra é que a população rejeita, em grande medida, a ideia de deixar esses recursos ao sabor do mercado. Somando os que defendem controle estatal direto e os que aceitam exploração privada com regulação governamental, 75% dos entrevistados apoiam algum nível de presença do Estado.

Esse é o número mais importante da Quaest. Apenas uma minoria de 10% defende exploração privada sem intervenção estatal. Em um país historicamente marcado por disputas sobre privatização, recursos naturais e soberania, o dado revela uma preferência clara por controle público sobre minerais estratégicos.

O debate chega em um momento decisivo. A China usa sua vantagem mineral como instrumento geopolítico. A Europa cria estoques estratégicos. Os Estados Unidos tentam reconstruir cadeias de suprimento. E o Brasil aparece como uma das maiores reservas globais, mas ainda sem estrutura industrial proporcional ao tamanho de seu potencial.

Se agir com planejamento, o país pode transformar terras raras em base para uma nova política de desenvolvimento. Pode atrair investimentos, formar técnicos, criar laboratórios, fortalecer universidades, desenvolver refino e entrar em cadeias de carros elétricos, energia renovável, defesa e semicondutores.

Se agir sem estratégia, repetirá o padrão colonial: extrair, exportar barato e depois importar tecnologia cara.

A pesquisa Genial/Quaest mostra que a sociedade brasileira parece mais atenta a esse risco. Ao defender controle estatal ou regulação forte, a maioria sinaliza que terras raras não devem ser tratadas como simples negócio de mineração.

Elas são parte da soberania nacional. E, em um século movido por eletrificação, inteligência artificial, defesa avançada e transição energética, quem controla os minerais críticos controla uma parte essencial do futuro.

Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes