Cientistas da Universidade da Austrália Ocidental descobriram que o que era considerado uma única espécie de lesma marinha é, na verdade, pelo menos 75 espécies distintas moldadas ao longo de milhões de anos por ciclos glaciais antárticos. O estudo liderado pela Dra. Paige Maroni e Dra. Nerida Wilson foi publicado na revista Molecular Phylogenetics and Evolution.
Antártida é frequentemente percebida como biologicamente escassa, mas descobertas como esta revelam uma diversidade extraordinária oculta. Técnicas genômicas avançadas mostram que o que parecia ser uma única espécie é, na verdade, um complexo sistema de muitas linhagens evolutivas distintas.
Este tipo de trabalho demonstra o valor das coleções de museus, pois à medida que a identidade desses espécimes físicos muda, somos capazes de atualizar nosso entendimento dos padrões mais amplos de biodiversidade.
Trabalhos genéticos anteriores sugeriam que a nudibranquia antártica Doris kerguelenensis representava cerca de 59 espécies ocultas. Usando análise genômica em larga escala de 130 espécimes, os pesquisadores agora estimam que podem existir pelo menos 75 espécies distintas dentro do que foi considerado uma única espécie de lesma marinha antártica.
Ao gerar este conjunto universal de marcadores genéticos, criamos um recurso que ajudará a padronizar futuras coletas de dados para estudos comparativos, segundo a Dra. Maroni.
As nudibranquias só rastejam no fundo do mar como adultas, e a evolução da espécie provavelmente ocorreu ao longo de muitos ciclos glaciais. Ao longo de milhões de anos, a vida marinha antártica foi repetidamente fragmentada, deslocada e reconectada à medida que enormes geleiras avançavam e recuavam pela plataforma continental.
Estes ciclos glaciais parecem ter agido como um motor evolutivo, impulsionando a formação de espécies inteiramente novas.
Os resultados fornecem uma estrutura para entender como as mudanças ambientais impulsionadas pelo clima moldam a biodiversidade em escalas evolutivas. Os resultados importam não apenas para reconstruir o passado da Antártida, mas também para prever como os ecossistemas marinhos podem responder às rápidas mudanças climáticas no futuro, segundo a Dra. Maroni.
A pesquisa foi publicada com o DOI: 10.1016/j.ympev.2026.108641.
Com informações de PHYS.
Leia também: Estudo revela mecanismo de três estágios que empurra gelo da Antártida para colapso irreversível
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!