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Empresa britânica usa física quântica e IA para revolucionar engenharia de enzimas

3 Comentários🗣️🔥 Membros da equipe da Imperagen posam para foto em seu escritório. (Foto: techcrunch.com) A startup britânica Imperagen anunciou um investimento de £5 milhões (US$ 6,7 milhões) em rodada de sementes liderada pela PXN Ventures, com participação da IQ Capital e Northern Gritstone. A empresa busca redefinir a engenharia de enzimas, tornando o processo […]

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Membros da equipe da Imperagen posam para foto em seu escritório. (Foto: techcrunch.com)

A startup britânica Imperagen anunciou um investimento de £5 milhões (US$ 6,7 milhões) em rodada de sementes liderada pela PXN Ventures, com participação da IQ Capital e Northern Gritstone. A empresa busca redefinir a engenharia de enzimas, tornando o processo mais rápido, eficiente e econômico do que o método atual, que depende de tentativa e erro em laboratório.

Imperagen utiliza três tecnologias centrais para alcançar seu objetivo. A empresa simula o comportamento de variantes enzimáticas em computador usando modelagem avançada de física quântica, explorando milhões de mutações em vez de testes físicos. Essas informações são então traduzidas para modelos de inteligência artificial personalizados, treinados especificamente para os problemas enzimáticos que a empresa busca resolver.

Para manter seus modelos de IA, a startup utiliza robôs e automação para gerar dados experimentais, que são alimentados de volta nos modelos em um processo chamado simulação em loop fechado. Essa abordagem representa uma mudança significativa no campo da biotecnologia, que tradicionalmente depende de métodos lentos e caros de engenharia enzimática.

As enzimas são extremamente importantes em muitas indústrias, especialmente farmacêutica, pois são essenciais para o desenvolvimento de medicamentos. Startups como a Imperagen esperam acelerar a engenharia enzimática, o que pode ter um efeito dominó, tornando, por exemplo, a descoberta de medicamentos mais rápida e eficiente. Enzimas também são utilizadas em setores como alimentos, biocombustíveis e agricultura.

Na quarta-feira, a empresa também anunciou que Guy Levy-Yurista assumirá o cargo de CEO. Em entrevista ao TechCrunch, ele afirmou que o processo atual de engenharia enzimática está falhando, pois muitas novas tecnologias baseadas em IA conseguem passar por testes de tentativa e erro, mas falham quando aplicadas em escala industrial.

Levy-Yurista tem experiência em inteligência artificial, ciências da vida e tecnologia empresarial. Embora os fundadores permaneçam na empresa, ele foi contratado para ajudar a desenvolver as novas tecnologias da startup, incluindo uma infraestrutura de IA vertical para biocatálise, enquanto escala a estratégia de IA, modelos comerciais e parcerias industriais da empresa.

Até o momento, a Imperagen já levantou £8,5 milhões (US$ 11,42 milhões) em financiamento. O novo capital será utilizado para contratar mais especialistas em IA, investir em pesquisa e desenvolvimento, expandir as capacidades do laboratório experimental e construir uma função de entrada no mercado nos próximos dois anos.

“Eventualmente, a ampla utilização de enzimas projetadas ajudará as indústrias a produzir produtos de forma confiável que sejam mais limpos, seguros e melhores para as pessoas e o planeta, ao mesmo tempo que fazem sentido comercial para as empresas que os adotam”, disse Levy-Yurista.


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Ana Paula Conserva

21/05/2026

Interessante esse avanço da ciência, mas a gente precisa tomar cuidado com tanto poder nas mãos do homem. Deus criou a natureza de forma perfeita, e mexer demais nessas estruturas pode trazer consequências que nem imaginamos. Que pelo menos usem essa tecnologia com responsabilidade e respeito pelos limites morais.

    Julia Andrade

    21/05/2026

    Ana Paula, seu comentário toca num ponto que atravessa séculos de disputa simbólica, e eu queria te convidar a deslocar um pouco o olhar. Quando você diz que “Deus criou a natureza de forma perfeita”, essa ideia de perfeição natural não é neutra — ela é um construto teológico-político que serviu para legitimar hierarquias, definir o que é “normal” e demonizar a intervenção humana, especialmente a das mulheres e povos colonizados. A natureza, na verdade, é um emaranhado caótico e mutante: mutações genéticas acontecem o tempo todo, espécies desaparecem, ecossistemas se rearranjam. A engenharia de enzimas com inteligência artificial e física quântica é a camada mais recente de uma longa história de manipulação — nossos ancestrais já mexiam em estruturas quando domesticaram plantas e animais, quando selecionaram sementes, quando fermentaram alimentos. O problema nunca foi “mexer”, mas quem define os rumos dessa mexicão e a serviço de quais projetos de mundo ela está.

    E aqui entra o ponto que mais me provoca na sua fala: “tanto poder nas mãos do homem”. Eu leio esse “homem” não como humanidade genérica, mas como o sujeito masculino, branco, proprietário, que historicamente controlou os laboratórios, as patentes e os financiamentos. Essa empresa britânica não existe num vácuo moral: ela opera numa economia capitalista e colonial que transforma enzimas, genes e formas de vida em ativos financeiros. Enquanto isso, mulheres — sobretudo negras e indígenas — ficam de fora dos conselhos científicos, das decisões regulatórias, do acesso aos benefícios. Falar em responsabilidade, nesse contexto, exige mais do que um apelo ao “respeito”: exige disputar o poder, democratizar radicalmente a tecnociência e submetê-la a um controle social onde as vozes feministas, antirracistas e decoloniais tenham centralidade. A precaução não pode ser tutelada pelo mesmo patriarcado que já decidiu que nossos corpos são território de intervenção moral.

    Sobre os “limites morais”, eu preciso ser sincera: tenho pavor dessa expressão quando ela vem despida de crítica histórica. A moral cristã que embala a ideia de uma criação perfeita também justificou a escravização de pessoas negras, a caça às bruxas, a criminalização do aborto e a patologização das sexualidades dissidentes. Limites são necessários, sim, mas precisam ser construídos a partir de uma ética situada, que reconheça a interdependência entre humanos e mais-que-humanos, e não de dogmas que naturalizam desigualdades. A engenharia de enzimas pode gerar impactos imprevisíveis — e o princípio da precaução é uma ferramenta importante —, mas travá-la em nome de uma pureza original é repetir o gesto colonial que sempre definiu o que merece existir e o que pode ser descartado. Me assusta muito mais a concentração corporativa dessa tecnologia do que a transgressão de uma suposta ordem divina. Por isso a luta feminista precisa estar dentro dos laboratórios, hackeando os regimes de propriedade intelectual e exigindo que a ciência seja um comum, não um fetiche do capital.

    Mariana Oliveira

    21/05/2026

    Ana Paula, sua fala me provoca porque toca num nervo que a ciência e a religião costumam disputar em falso debate, enquanto o que realmente está em jogo permanece intocado. Quando você diz “tanto poder nas mãos do homem”, é impossível não perguntar, como feminista interseccional: de qual homem estamos falando? O sujeito universal masculino que a história naturalizou é, na verdade, um corpo muito específico: branco, cisgênero, heterossexual, proprietário, inserto nas cadeias globais do capital. O poder tecnológico não está nas mãos de um genérico “homem”, mas nas de corporações transnacionais, conselhos majoritariamente masculinos e brancos, laboratórios onde as decisões sobre o que pesquisar, patentear e lucrar passam longe de qualquer escrutínio popular ou ética do cuidado. A engenharia de enzimas não é neutra: ela já nasce atravessada pelas mesmas estruturas de dominação que bell hooks denuncia quando fala da “patriarcal capitalista supremacia branca”. O risco não está em “mexer demais” na natureza – está em quem decide os rumos dessa intervenção e quais corpos serão usados como cobaias ou serão os últimos a acessar os benefícios.

    O discurso da “natureza perfeita” criada por Deus foi historicamente mobilizado para criminalizar saberes ancestrais de mulheres, parteiras, curandeiras, enquanto se abençoava a industrialização voraz. O mesmo cristianismo que você invoca como freio moral já justificou a escravização de corpos negros argumentando que a ordem natural era divina. Kimberlé Crenshaw nos ensina que as opressões não se somam, elas se interseccionam: uma mulher negra não sentirá os efeitos de uma nova enzima agrícola da mesma forma que um homem branco do hemisfério norte. Se o debate sobre limites morais não incluir o racismo ambiental, a soberania alimentar dos povos tradicionais, a saúde das trabalhadoras rurais e o acesso a medicamentos essenciais no Sul Global, então esses “limites” nada mais são que a velha moral burguesa com perfume de sacristia – aquela que é rigorosa com a sexualidade feminina, mas flexível com patentes bilionárias. Precisamos de responsabilidade, sim, mas de uma responsabilidade que comece por desmantelar quem detém o monopólio da definição do que é moral.

    Chamar a tecnologia para o campo da ética é urgente, mas a ética não pode ser a continuação da política do pai-patrão. bell hooks insiste que uma ética amorosa não floresce em estruturas de dominação. Portanto, mais do que pedir “respeito pelos limites morais” como se eles fossem dados e consensuais, temos que indagar: quem está assentado à mesa quando esses limites são desenhados? As mulheres indígenas, as comunidades quilombolas, as cientistas feministas, as teólogas da libertação, as ativistas trans? Ou apenas os mesmos homens que você, com razão, desconfia? A física quântica e a inteligência artificial não vão nos salvar ou nos condenar sozinhas; elas são instrumentos em uma guerra onde o inimigo principal não é a ousadia do conhecimento, mas a concentração brutal de poder que insiste em decidir sobre nossos corpos e territórios sem nunca precisar prestar contas. Provocar a ordem natural pode ser revolucionário se feito a partir das margens e com a finalidade de reparar as feridas abertas pela colonialidade. O medo paralisante, ao contrário, só mantém tudo como está – e esse tudo, Ana Paula, está longe de ser um paraíso divino para a maioria das mulheres.


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