Flávio visitou Vorcaro na véspera de virar presidenciável e aprofunda crise política da direita

REPRODUÇÃO

A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ficou ainda mais difícil de ser tratada como contato casual.

Segundo a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, o senador do PL visitou o ex-controlador do Banco Master em São Paulo na véspera de ser anunciado como pré-candidato à Presidência da República. A viagem ocorreu na mesma semana em que Flávio passou a ser apresentado como o nome escolhido por Jair Bolsonaro para disputar o Planalto em 2026.

O detalhe do calendário muda o peso político da crise. Não se trata apenas de uma visita a um banqueiro investigado. Trata-se de um encontro realizado no momento exato em que Flávio se preparava para assumir a candidatura presidencial do bolsonarismo.

De acordo com o Metrópoles, as viagens de Flávio a São Paulo na semana em que visitou Vorcaro foram bancadas pela cota parlamentar do Senado. O senador esteve três vezes na capital paulista entre 20 de novembro e 5 de dezembro de 2025, data em que anunciou publicamente sua pré-candidatura.

Esse ponto adiciona uma pergunta sensível ao caso: qual era a finalidade pública de uma viagem custeada com recursos do Senado que incluiu encontro com um banqueiro recém-saído da prisão e interessado em financiar um filme político sobre Jair Bolsonaro?

Flávio confirmou à Reuters que se encontrou com Vorcaro depois da prisão e liberação do banqueiro com tornozeleira eletrônica. O senador afirmou que a reunião, no fim de 2025, teve como objetivo encerrar as conversas sobre investimento no filme após os problemas judiciais de Vorcaro virem à tona.

A explicação, porém, não elimina o desgaste. O encontro ocorreu justamente às vésperas do anúncio presidencial de Flávio, o que reforça a percepção de proximidade entre o pré-candidato e o ex-controlador do Banco Master em um momento decisivo para a direita.

O caso ganhou força após a divulgação de áudios e mensagens sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O Guardian informou que Flávio pediu US$ 26,8 milhões, cerca de R$ 134 milhões, a Vorcaro para bancar o filme, que teria Jim Caviezel no elenco e direção de Cyrus Nowrasteh.

A mesma reportagem apontou que ao menos US$ 12 milhões teriam sido transferidos por intermediários, embora a produtora do filme negue ter recebido recursos de Vorcaro. Essa contradição segue sendo uma das perguntas centrais da crise: se o dinheiro saiu, para onde foi?

Flávio nega irregularidades. Ele sustenta que buscava patrocínio privado para um projeto privado sobre a história de seu pai e afirma que não ofereceu qualquer contrapartida política. A defesa jurídica é uma coisa. O dano político é outra.

O problema para o senador é a sequência dos fatos. Primeiro, tentou se afastar de Vorcaro. Depois, admitiu contato após a divulgação dos áudios. Agora, confirma-se que houve encontro presencial com o banqueiro depois da prisão e na véspera do anúncio de sua candidatura presidencial.

A Reuters registrou que a mudança de versão deixou aliados desconcertados e abriu críticas dentro da direita. Flávio havia usado o caso Master para atacar Lula, mas passou a ser cobrado por sua própria relação com o personagem central do escândalo.

Vorcaro não é um financiador comum. Ele é o ex-controlador do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em meio a investigações sobre carteiras de crédito fraudulentas. Segundo a Reuters, o banqueiro foi preso novamente em março, acusado de subornar um ex-diretor do Banco Central.

Por isso, a visita de Flávio tem peso político elevado. Um pré-candidato presidencial não se reúne com um banqueiro investigado, recém-saído da prisão, na véspera de assumir uma candidatura nacional, sem que o encontro produza perguntas sobre interesse, financiamento, estratégia e relação real entre as partes.

A crise já atingiu as pesquisas. A Reuters informou que, após o escândalo, Lula abriu sete pontos de vantagem sobre Flávio em levantamento recente. O avanço do presidente ocorreu justamente depois da revelação da ligação entre o senador e Vorcaro.

Para o PL, o episódio cria um dilema. Flávio ainda concentra o sobrenome Bolsonaro, mobiliza parte da base fiel e tenta ocupar o espaço deixado pelo pai. Mas sua candidatura nasce carregando uma crise que mistura dinheiro, banco liquidado, filme político, viagem custeada pelo Senado e encontro presencial com um banqueiro investigado.

Para Lula, o cenário é favorável. O principal adversário bolsonarista, que vinha tentando se apresentar como alternativa eleitoral competitiva, agora precisa explicar cada novo detalhe de sua relação com Vorcaro.

O encontro na véspera do anúncio presidencial é mais do que uma coincidência incômoda. Ele coloca o caso Master dentro da largada da candidatura de Flávio Bolsonaro.

A pergunta que fica é direta: se a visita servia apenas para encerrar conversas sobre o filme, por que ela ocorreu justamente no momento em que Flávio se preparava para assumir o posto de candidato do bolsonarismo ao Planalto?

Enquanto essa resposta não vier de forma convincente, o caso Vorcaro continuará corroendo a principal aposta da direita para 2026.

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