Rússia desenvolve projeto secreto de mísseis nucleares no fundo do mar

Ilustração editorial sobre Rússia desenvolve projeto secreto de mísseis nucleares no fundo do mar. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O projeto secreto russo “Skythen” tem gerado preocupações na OTAN devido à possível instalação de mísseis nucleares no leito marinho. A cidade russa de Severodvinsk, localizada no Mar Branco, abriga uma base naval onde é construído o navio especial “Zvezdochka”, de 96 metros de comprimento.

Segundo investigações do WDR e NDR, este navio é monitorado por serviços de inteligência da OTAN. A embarcação foi projetada para o Ministério da Defesa russo, com capacidade de mover equipamentos pesados em alto mar, incluindo nas águas congeladas do Mar Ártico.

Serviços de inteligência acreditam que o navio está sendo utilizado para um projeto militar secreto chamado “Skythen”, que envolve o posicionamento de mísseis nucleares no leito marinho. As pesquisas incluíram análise de imagens de satélite, bases de dados científicas russas e documentos históricos.

O projeto secreto russo tem como objetivo posicionar mísseis balísticos de forma não convencional no mar, o que representaria desafios para a OTAN em caso de conflito. Essas plataformas de lançamento escondidas no fundo do mar seriam difíceis de detectar e neutralizar.

Não há informações oficiais recentes sobre o projeto “Skythen”. O nome do projeto faz referência ao povo histórico dos citas, assim como a nova arma nuclear russa “Sarmat”, inspirada nos sármatas.

Tanto a OTAN quanto o Ministério da Defesa russo se recusaram a comentar o projeto. A embaixada russa em Berlim afirmou não possuir informações sobre o assunto.

Helge Adrians, oficial da reserva naval e pesquisador convidado da Fundação para Ciência e Política (SWP), vê o projeto como uma tentativa de reduzir a dependência de plataformas caras e complexas como submarinos e cruzadores.

Segundo ele, o posicionamento de silos de mísseis no fundo do mar permitiria à Rússia manter a dissuasão nuclear mesmo com recursos financeiros limitados. Adrians destaca dois principais vantagens: a dificuldade de neutralização desses sistemas e a economia de submarinos e pessoal.

No entanto, ele ressalta os desafios técnicos, como o manejo de correntes marítimas, assoreamento dos silos, fornecimento de energia e comunicação com os mísseis.

Segundo fontes de serviços de inteligência da OTAN, o projeto envolveria mísseis com ogivas nucleares instalados em silos ou contêineres especialmente construídos, a centenas de metros de profundidade.

p>Eles permaneceriam no fundo do mar por longos períodos, podendo ser acionados remotamente. O navio “Zvezdochka” e um submarino especial chamado “Sarov” seriam utilizados para o posicionamento desses sistemas.

A dissuasão nuclear tradicional se baseia em três pilares: terrestre (em silos ou veículos), aéreo (aviões e bombardeiros) e marítimo (navios e especialmente submarinos).

Rússia, EUA e China possuem as três capacidades. Durante a Guerra Fria, outras formas de posicionamento de armas nucleares nos oceanos foram estudadas.

O Pentágono analisou em 1980 um projeto chamado “Orca” para silos de mísseis no fundo do mar, que se soltariam e subiriam à superfície para lançar suas armas.

Os militares americanos destacaram como vantagens a durabilidade, baixo custo e baixo risco de destruição, mas apontaram dificuldades na transmissão de dados e teste dos sistemas sem revelar a localização.

Enquanto os EUA optaram por não desenvolver tal sistema, fontes da OTAN indicam que a Rússia teria avançado nessa direção. Patentes russas de técnicas relacionadas teriam sido registradas desde os anos 1990.

Uma versão modificada do míssil “Sineva”, chamada “Skif”, estaria sendo desenvolvida para esse propósito, com alcance de até 5.000 quilômetros.

Matthias Uhl, historiador militar, observa que a Rússia utiliza uma dupla estratégia com tais projetos: além das capacidades militares, busca efeitos psicológicos nos adversários.

p>Essas armas são mais importantes no discurso político do que no combate real, servindo como símbolo de poder e dissuasão.

Em 1971, foi assinado o Tratado sobre a Proibição da Posição de Armas Nucleares no Fundo do Mar, ratificado por EUA, URSS e cerca de 80 outros países.

O tratado proíbe apenas o posicionamento em águas internacionais, não em águas territoriais, onde o projeto russo estaria sendo implementado.

O ex-comandante das Forças Aeroespaciais russas, Viktor Bondarev, afirmou em 2017 que os mísseis “Skif” já faziam parte do arsenal do país.

A existência e o status atual desses sistemas no fundo do mar permanecem incertos.

Leia mais sobre o assunto na Atomraketen am Meeresgrund?.


Leia também: Rússia realiza exercícios nucleares em resposta a ameaças de agressão


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