A Grande Pirâmide de Gizé, também conhecida como a Grande Pirâmide de Quéops, tem sobrevivido por mais de 4.600 anos, mesmo após enfrentar fortes terremotos, e uma nova pesquisa desvenda o motivo dessa notável resiliência. A estrutura perdeu apenas cerca de 10 metros de altura desde sua construção durante o Antigo Reino do Egito (2649 a 2150 a.C.), apesar de ter experimentado diversos terremotos ao longo dos séculos.
Um estudo recente, conduzido pelo geocientista Asem Salama, do Instituto Nacional de Pesquisa em Astronomia e Geofísica no Cairo, revelou que certas características arquitetônicas da pirâmide, como as chamadas câmaras aliviadoras de pressão acima da Câmara do Rei, atenuam o movimento sísmico na parte superior da estrutura. Essas câmaras, situadas a cerca de 61 metros de altura dentro da pirâmide, foram projetadas para aliviar o peso sobre o local de descanso final do faraó Quéops, mas também funcionam como amortecedores de vibrações.
Salama e sua equipe instalaram sensores de vibração em 37 locais dentro e ao redor da Grande Pirâmide, registrando as vibrações ambientais quando não havia turistas dentro da pirâmide. Os dados coletados mostraram que as frequências de vibração dentro da pirâmide variavam entre 2,0 e 2,6 hertz, significativamente diferentes das frequências do solo próximo, que eram geralmente em torno de 0,6 hertz. Essa diferença de frequências contribui para a resiliência da pirâmide durante os terremotos, pois a estrutura se mantém isolada das vibrações que viajam pelo solo.
Outros fatores que contribuem para a estabilidade da pirâmide incluem sua base maciça, fundação de calcário forte e geometria simétrica. Embora as vibrações aumentem na parte superior da estrutura, como é comum em edifícios altos, as câmaras aliviadoras de pressão interrompem esse padrão, reduzindo as vibrações que poderiam se propagar até o topo. Os pesquisadores planejam realizar mais medições na Grande Pirâmide e esperam aplicar métodos semelhantes em outros importantes sítios arqueológicos egípcios.
É provável que algumas das mesmas características da forma piramidal ajudem a proteger as outras pirâmides em Gizé, mas cada estrutura é única, já que os arquitetos egípcios evoluíram seus métodos ao longo do tempo. As pirâmides mais antigas exibem evidências de experimentação e evolução estrutural, incluindo mudanças na geometria da inclinação e nos layouts internos. Segundo a Live Science, essas adaptações demonstram a incrível capacidade de inovação e engenharia dos antigos egípcios.
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