Lula abre vantagem e queda de Flávio mostra que caso Vorcaro já bateu na eleição de 2026

REPRODUÇÃO

A nova pesquisa Futura/Apex mostra que o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro já começou a produzir efeito eleitoral.

No cenário de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 47,7% das intenções de voto, contra 42,2% do senador do PL. A vantagem de Lula é de 5,5 pontos percentuais. O levantamento foi divulgado nesta sexta-feira, 22 de maio, pela Futura Inteligência em parceria com a Apex Partners.

O dado mais importante está na curva. Em apenas dez dias, Flávio caiu 4,7 pontos percentuais. Na rodada anterior, ele tinha 46,9%, enquanto Lula aparecia com 44,4%. Agora, o petista virou o placar e abriu vantagem numérica sobre o principal nome testado do bolsonarismo para 2026.

A pesquisa foi feita entre 15 e 20 de maio, ou seja, depois da divulgação dos áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Esse detalhe é decisivo porque diferencia o levantamento de pesquisas anteriores, que ainda não captavam o impacto completo da crise sobre a pré-candidatura do senador.

A Futura/Apex ouviu 2.000 eleitores em 878 cidades brasileiras, por telefone. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O resultado confirma uma mudança no ambiente político. Há poucos dias, Flávio aparecia como adversário competitivo de Lula. Em 11 de maio, a mesma Futura/Apex apontava o senador com 46,9% no segundo turno, contra 44,4% do presidente. Naquele momento, o bolsonarista tinha vantagem numérica. Agora, perdeu quase cinco pontos e ficou atrás.

O caso Vorcaro alterou o centro da disputa. Flávio tentava se apresentar como herdeiro natural de Jair Bolsonaro e nome mais forte da direita para enfrentar Lula. Mas a revelação de sua relação com o ex-controlador do Banco Master, investigado em um escândalo financeiro bilionário, atingiu justamente a credibilidade de sua pré-campanha.

A Reuters também registrou movimento parecido em outro levantamento. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio em eventual segundo turno, depois das reportagens que conectaram o senador ao banqueiro investigado. Em abril, a mesma série indicava empate, com leve vantagem numérica para Flávio.

O Datafolha, feito antes de o caso explodir por completo, ainda mostrava empate entre Lula e Flávio no segundo turno. Os dois apareciam com 45%. Esse contraste reforça a leitura de que os levantamentos posteriores ao escândalo já captam um ambiente mais adverso para o senador.

Lula também lidera outras simulações de segundo turno na Futura/Apex. Contra Ronaldo Caiado, o presidente tem 47,6%, enquanto o governador de Goiás marca 36,5%. Contra Romeu Zema, Lula aparece com 48,3%, contra 35,9% do ex-governador de Minas Gerais.

Esses números mostram que Lula não apenas virou sobre Flávio. Ele também mantém vantagem mais ampla contra outros nomes da direita. A diferença é que Flávio era, até agora, o adversário que mais mobilizava o eleitorado bolsonarista e mais pressionava o presidente nas pesquisas.

A queda de 4,7 pontos muda esse cálculo. O senador deixa de ser apenas um candidato competitivo e passa a ser um candidato sob suspeita política, obrigado a explicar sua relação com Vorcaro, o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro e as contradições públicas após a divulgação dos áudios.

Para a direita, o problema é estratégico. Insistir em Flávio significa carregar uma candidatura ferida antes da campanha oficial. Trocar de nome significa admitir que o bolsonarismo pode não ter força suficiente para sustentar seu herdeiro direto.

Para Lula, o levantamento traz alívio e oportunidade. O presidente volta a aparecer em vantagem no confronto mais sensível e vê o adversário entrar na defensiva. Mas a eleição segue aberta, porque a distância ainda exige cautela e o país continua dividido.

O recado da Futura/Apex é direto: o caso Vorcaro deixou de ser apenas uma crise de imagem. Ele já entrou nas pesquisas. E, pela primeira vez desde que Flávio tentou se consolidar como candidato presidencial, a curva aponta para baixo.

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