Cientistas revelam que o núcleo da Terra é tão quente quanto a superfície do Sol

Ilustração mostra o interior da Terra com seu núcleo incandescente. (Foto: livescience.com)

O núcleo da Terra atinge temperaturas tão elevadas quanto a superfície do Sol, variando entre 5.000 e 5.500 graus Celsius. A estimativa, obtida por meio de experimentos de laboratório e análises sísmicas, revela a força primordial que ainda pulsa no centro do planeta.

Como perfurar até o núcleo é impossível, os pesquisadores recorreram a métodos indiretos para medir esse calor infernal. Combinando experimentos com ligas de ferro sob altíssima pressão e o estudo de como as ondas sísmicas se comportam ao atravessar o interior da Terra, eles conseguiram inferir a temperatura com notável precisão.

O núcleo é composto principalmente de ferro, cerca de 85%, misturado com níquel e outros elementos mais leves. A parte externa é líquida, enquanto o núcleo interno, que começa a aproximadamente 5.150 quilômetros de profundidade, permanece sólido devido à pressão esmagadora.

De acordo com informações do portal Live Science, cientistas utilizaram células de bigorna de diamante para esmagar minúsculas amostras de ferro enquanto lasers as aqueciam a temperaturas extremas. Outros experimentos dispararam projéteis de alta velocidade contra o metal para simular as condições brutais do centro planetário.

O mineralogista Quentin Williams, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, explicou que a pressão colossal eleva o ponto de fusão do ferro para muito além do que se vê na superfície. É essa combinação de calor e pressão que mantém o núcleo interno em estado sólido, apesar das temperaturas solares.

Grande parte desse calor é remanescente da formação da Terra, há 4,5 bilhões de anos, quando o planeta era uma esfera de rocha derretida. O professor de geologia Shichun Huang, da Universidade Sun Yat-sen, na China, destacou que a energia gravitacional gerada pela aglomeração de material durante a formação planetária foi convertida em calor.

Huang também mencionou que um impacto de um objeto do tamanho de Marte contra o proto-planeta Terra depositou uma quantidade imensa de energia térmica no interior. Alguns cientistas acreditam que elementos radioativos, como potássio, urânio e tório, também contribuam para manter o núcleo aquecido, embora essa presença ainda seja debatida.

Esse calor interno não é apenas uma curiosidade geológica, mas a razão pela qual a vida pode existir na superfície. O núcleo parcialmente líquido gera o campo magnético terrestre, que protege o planeta e todas as formas de vida dos ventos solares perigosos.

Além disso, o calor retido no interior da Terra alimenta a tectônica de placas, que recicla nutrientes e cria habitats diversos onde a vida evolui e prospera. Como ressaltou Huang, se alguém se importa com a vida, deve se importar com o interior do planeta — é o núcleo abrasador que permite a todos nós sobreviver onde estamos hoje.

Leia mais sobre o assunto na livescience.com.


Leia também: Cientistas desvendam segredo geológico das Bermudas


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.