Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a operação Lava Jato como a ‘grande mentira do século XXI’. Ele criticou os métodos que, segundo ele, tiveram como objetivo deliberado quebrar empresas nacionais e destruir postos de trabalho. Lula também apontou o papel da mídia em alimentar figuras que depois ‘não provaram nada’.
Lula mirou diretamente nos ex-procuradores e no ex-juiz responsáveis pela operação, afirmando que os meios de comunicação criaram ‘dois monstros’ chamados Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. O ex-presidente argumentou que, em casos de corrupção empresarial, o razoável seria punir os donos e preservar as companhias, mas que na Lava Jato a lógica foi inversa e serviu a interesses que ele questionou sem nomear diretamente.
O impacto econômico da força-tarefa foi devastador, conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) citado por Lula e repercutido pela Carta Capital. Os dados mostram que a operação resultou na destruição de 4,44 milhões de empregos entre 2014 e 2017, além de uma redução de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo período.
Do total de postos de trabalho eliminados, 2,05 milhões desapareceram diretamente nos setores e cadeias produtivas atingidos pelas investigações. Os outros 2,39 milhões de vagas foram destruídos em setores como comércio, transporte e alimentação, arrastados pela queda na renda e no consumo da população, um efeito cascata que Lula descreveu como resultado de um ataque à economia nacional.
Além da crítica econômica, Lula fez um apelo à juventude para que não se afaste da política, mesmo diante da desilusão com a classe política. Ele incentivou os jovens a se engajarem e entrarem na vida pública para se tornarem os políticos honestos que desejam ver, num momento em que a confiança nas instituições foi severamente abalada.
O ex-chefe do Executivo também revelou uma mudança pessoal de posição em relação ao financiamento da atividade partidária. Lula afirmou estar ‘muito chateado’ com a organização partidária atual e declarou que, embora fosse favorável ao fundo partidário e ao fundo eleitoral, hoje se posiciona contra esses mecanismos por acreditar que levaram à promiscuidade na política.
Leia mais sobre o assunto na Carta Capital.
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