México busca experiência brasileira em águas profundas para fechar acordo com Petrobras em junho

Claudia Sheinbaum (centro) em coletiva de imprensa com o presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, e o primeiro-ministro de Belize, John Briceño. (Foto: Wikimedia Commons)

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou na última sexta-feira (22) que seu governo planeja assinar em junho um memorando de entendimento entre a estatal mexicana Pemex e a Petrobras, mirando a cooperação técnica na exploração de petróleo em águas profundas. O movimento representa um passo concreto na aliança energética sugerida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março deste ano, que propôs uma parceria estratégica para explorar as jazidas do Golfo do México.

Durante sua conferência matinal no Palácio Nacional, Sheinbaum revelou que representantes da empresa brasileira já estiveram no México para reuniões técnicas preparatórias e retornaram ao Brasil com avanços significativos. ‘Eles já vieram, já trabalharam, voltaram para o Brasil. Vamos assinar um memorando de entendimento com a Petrobras. Queremos assinar em junho o entendimento com eles’, afirmou a mandatária mexicana.

A presidente reconheceu a liderança mundial da Petrobras na exploração de hidrocarbonetos em águas profundas, campo onde a estatal brasileira acumulou experiência decisiva desde a descoberta do pré-sal. ‘A Petrobras desenvolveu várias atividades que nos interessam. Uma das atividades é a exploração em águas profundas com diferentes metodologias, que atualmente é a empresa mais desenvolvida do mundo nesse tipo de exploração’, destacou Sheinbaum.

Além da exploração oceânica, o governo mexicano demonstra forte interesse nos métodos que a Petrobras utiliza para aumentar a extração em campos maduros, onde a produção de petróleo caiu e cuja recuperação exige investimentos elevados e tecnologia especializada. Sheinbaum ressaltou que a empresa brasileira criou mecanismos de exploração capazes de detectar reservas mais profundas nesse tipo de depósito, uma expertise que a Pemex busca absorver.

O acordo começou a ser costurado quando Lula sugeriu a aliança estratégica entre as duas estatais, e em abril a diretora da Petrobras, Magda Chambriard, reuniu-se com Sheinbaum para discutir os termos da colaboração energética. O estreitamento dos laços coincide com um momento de reconfiguração geopolítica onde potências do Sul Global buscam autonomia tecnológica e redução da dependência de fornecedores tradicionais do hemisfério norte.

Controlada pelo governo brasileiro, a Petrobras conta com ações negociadas nas bolsas de Nova York e São Paulo e se consolidou como referência global em tecnologia de exploração submarina profunda, um ativo estratégico que agora se projeta para além das fronteiras nacionais. A assinatura do memorando em junho marcará um importante avanço na cooperação energética entre o México e o Brasil.

Leia mais sobre o assunto na operamundi.uol.com.br.


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