Zimbábue exporta primeiro lítio processado do continente africano

Trabalhador observa uma área de mineração de lítio no Zimbábue. (Foto: scmp.com)

A Prospect Lithium Zimbabwe, subsidiária da Zhejiang Huayou Cobalt, realizou a exportação do primeiro carregamento de sulfato de lítio já produzido na África. A operação ocorreu a partir da mina Arcadia, próxima à capital Harare.

O complexo industrial recebeu investimento de 400 milhões de dólares e tem capacidade para produzir 50 mil toneladas métricas anuais de sulfato de lítio. Este produto intermediário pode ser refinado posteriormente para a fabricação de hidróxido de lítio e carbonato de lítio, insumos essenciais para baterias.

A empresa classificou o embarque como um ‘marco histórico’, destacando que é a primeira vez que um sal de lítio é produzido em escala comercial no continente. ‘Este feito ressalta a emergência do país como um ator-chave na cadeia global de valor do lítio’, afirmou a companhia em comunicado oficial.

Harare implementou uma proibição total de exportação de minerais brutos em dezembro de 2022. A medida foi adotada para conter o contrabando generalizado e garantir que a riqueza mineral do país gere empregos e receitas internas, em vez de ser simplesmente embarcada para processamento no exterior.

O Zimbábue busca quebrar o ciclo histórico de ‘escavar e despachar’ que marcou a exploração colonial e neocolonial de seus recursos. A estratégia de agregação de valor local é vista como um divisor de águas para a economia zimbabuana.

A entrada do Zimbábue na fase de processamento ocorre em um momento de intensa disputa global por minerais críticos. O lítio é fundamental na transição energética e na corrida tecnológica entre as grandes potências, com a China consolidando sua posição como principal parceira industrial do Sul Global.

A planta de Arcadia demonstra que o financiamento e a tecnologia chineses podem acelerar a industrialização africana. Para países historicamente saqueados por potências europeias, trata-se de uma oportunidade concreta de reter uma fatia maior da riqueza gerada em seu próprio solo.

A produção local de sais de lítio coloca o Zimbábue em um patamar inédito na cadeia de baterias, abrindo caminho para futuros investimentos em refino e até na fabricação de células. O país detém algumas das maiores reservas de lítio da África, agora estrategicamente posicionadas para alimentar a demanda global por energia limpa.

Leia mais sobre o assunto na scmp.com.


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