Brasil retoma programa de cooperação científica com a África e amplia integração

O presidente Lula cumprimenta líder africano durante evento de cooperação no Dia da África. (Foto: operamundi.uol.com.br)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem trabalhado para aprofundar as relações com a África, diversificando parcerias comerciais e reforçando laços em diversas áreas. Em comemoração ao Dia da África, o Ministério da Ciência e Tecnologia anunciou a retomada do Programa de Cooperação Afro-Brasileira em Ciência e Tecnologia (ProÁfrica), que havia sido interrompido em 2011.

De acordo com a reportagem do Opera Mundi, o CNPq destinará R$ 25 milhões para o fortalecimento da cooperação científica entre Brasil e países africanos, abordando temas como meio ambiente, agricultura, energia renovável, saúde e segurança alimentar. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, ressaltou que a iniciativa foi possível graças à liberação de recursos pelo presidente Lula para ciência, tecnologia e inovação.

Durante seu mandato, Lula visitou vários países africanos, incluindo África do Sul, Angola, São Tomé e Príncipe, Egito, Etiópia e Moçambique, além de receber em Brasília chefes de Estado da região. Essas interações culminaram com a assinatura de acordos em áreas como agricultura, aviação civil, defesa, saúde, educação e turismo, reforçando uma política externa que valoriza a integração com o Sul Global.

O secretário de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, salientou a importância da diversificação de parceiros comerciais diante do protecionismo dos países desenvolvidos. O continente africano, com 1,5 bilhão de habitantes e mais de 60% com menos de 25 anos, apresenta taxas de crescimento e um mercado consumidor em expansão.

No Itamaraty, o embaixador de Camarões Martin Agbor Mbeng agradeceu o apoio do Brasil na ONU ao reconhecimento da escravidão como crime contra a humanidade. Ele também elogiou a defesa brasileira do sistema multilateral de comércio na OMC, que tem enfrentado desafios unilaterais.

O comércio entre Brasil e África alcançou US$ 23,7 bilhões, com superávit de US$ 7,2 bilhões para a balança brasileira, correspondendo a 5,70% do fluxo comercial total do país. O volume cresceu 52% desde 2020 e 16% em relação a 2023, primeiro ano do atual governo, segundo dados do Ministério da Economia.

A professora de relações internacionais da Universidade Federal da Bahia, Elga Lessa de Almeida, destacou os desafios econômicos atuais em comparação com os primeiros governos Lula, quando a atuação de estatais impulsionava projetos de infraestrutura. O presidente Lula defendeu, recentemente, a retomada desses investimentos no continente.

O pesquisador do Núcleo de Estudos Sobre África, Ásia e Relações Sul-Sul da UFRJ, Eden Pereira Lopes da Silva, considerou que o governo Lula retomou com sucesso o diálogo com os países africanos após um período de abandono. Ele ressaltou o potencial de soluções desenvolvidas por instituições brasileiras para enfrentar desafios em nações africanas.

O Ministério da Cultura assinou acordos com Angola para integrar arquivos históricos sobre a escravidão e ampliar a cooperação artística. A relação entre os dois países é profunda, refletindo a história compartilhada.

No mesmo dia, o Itamaraty realizou um seminário sobre parcerias com a África, e o presidente Lula participou do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, organizado pelo Ministério da Educação. O embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte reconheceu a necessidade de


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