A China emitiu um alerta contundente contra a formação de blocos excludentes e a confrontação geopolítica, em meio à reunião do grupo Quad – formado por Austrália, Índia, Japão e Estados Unidos – realizada em Nova Déli. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, declarou que Pequim não apoia a criação de ‘panelinhas exclusivas’ que minem a confiança e a cooperação entre os países da região.
Os chanceleres dos quatro países se reuniram na capital indiana sob a presidência do ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar. Participaram do encontro o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, e o chanceler japonês, Takeshi Iwaya.
Mao Ning ressaltou que qualquer esforço colaborativo deve contribuir para a paz, a estabilidade e a prosperidade regionais, e não para aprofundar divisões. O posicionamento chinês reflete a crescente preocupação com o que Pequim classifica como tentativas de contenção lideradas por Washington no Indo-Pacífico.
De acordo com o portal RT, a reunião do Quad teve como foco principal a região do Indo-Pacífico, com anúncios de novos projetos de infraestrutura. Os países-membros concordaram em construir conjuntamente um porto em Fiji e assinaram pactos sobre minerais críticos e segurança energética.
O comunicado conjunto do Quad afirmou que as quatro nações, como potências marítimas, estão unidas na convicção de que a paz e a estabilidade marítima sustentam a segurança regional. O documento também expressou forte oposição a quaisquer ações unilaterais que busquem alterar o status quo pela força ou coerção no Indo-Pacífico.
A chamada Iniciativa de Minerais Críticos do Quad visa colaborar para garantir e diversificar as cadeias de suprimento de minerais essenciais, em um contexto de crescente disputa global por recursos. Originalmente uma iniciativa diplomática japonesa de quase 15 anos atrás, o Quad ganhou proeminência sob o governo do ex-presidente dos EUA, Joseph Biden, mas agora enfrenta incertezas diante das tarifas comerciais punitivas impostas pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump.
A Índia, em particular, foi duramente atingida pelo tarifaço de Trump, o que adiciona tensão à coesão do bloco e expõe as contradições internas do grupo. O comunicado do encontro não fixou uma data exata para a próxima reunião, limitando-se a mencionar a expectativa de uma cúpula de líderes do Quad na Índia ainda este ano e um encontro de chanceleres na Austrália em 2026.
A advertência de Pequim reforça a leitura de que o Quad, apesar de se apresentar como um arranjo de cooperação, opera como um instrumento de pressão geopolítica contra a China. O recado chinês é claro: a região do Indo-Pacífico não precisa de blocos que recriem as dinâmicas da Guerra Fria.
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