Estudo do MIT desmente demissões em massa por IA nos EUA

Homem trabalha em código de programação em ambiente de desenvolvimento de software. (Foto: technologyreview.com)

O medo de que a inteligência artificial cause a destruição de empregos de colarinho branco tem ganhado força nos últimos anos, mas uma análise detalhada dos dados oficiais do mercado de trabalho americano mostra que essa realidade ainda não se materializou.

De acordo com a MIT Technology Review, o desemprego nas ocupações mais expostas à IA é, na verdade, menor do que o registrado em setores menos suscetíveis à tecnologia.

A economista do trabalho Erika McEntarfer, que atuou no Escritório de Estatísticas do Trabalho dos EUA e atualmente pesquisa no Instituto de Pesquisa de Política Econômica de Stanford, afirma que não há sinais de uma disrupção iminente nos números.

Erika McEntarfer, que deixou o cargo no governo Trump em contexto de reestruturação no BLS/DOGE, ressalta que apenas uma em cada cinco empresas americanas utiliza IA em alguma função de negócios.

Os dados apontam que, embora os recém-formados enfrentem dificuldades reais — com taxa de desemprego em torno de 5,6% —, o impacto da IA no mercado como um todo permanece limitado.

Pesquisadores do Laboratório de Economia Digital de Stanford, liderados por Erik Brynjolfsson, identificaram uma redução de 16% nos empregos de entrada em ocupações expostas à IA, mas o número total de programadores, por exemplo, continua crescendo.

O economista David Deming, professor da Universidade Harvard, coordena uma pesquisa trimestral desde 2024 que mostra que mais de 40% dos trabalhadores já usam IA generativa, mas os ganhos de produtividade ainda são moderados.

Os salários nos setores mais expostos à IA aumentaram de forma relativamente rápida, o que sugere que os empregadores seguem dispostos a pagar por conhecimentos e experiência difíceis de automatizar.

A experiência com alarmes anteriores com tecnologia — como os caminhões autônomos e a substituição de radiologistas — ensina que as previsões catastróficas frequentemente subestimam a complexidade das tarefas humanas.

Para Erika McEntarfer, a questão central é a velocidade da transformação: se ocorrer no ritmo habitual das mudanças tecnológicas, os mercados de trabalho terão tempo de se adaptar.


Leia também: Estudo expõe como a IA aprofunda a desigualdade digital nos EUA


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Redação:
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