O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, em um evento na segunda-feira, 25 de maio, durante a comemoração do Dia da África, declarou apoio irrestrito à demanda dos países africanos por reparações das antigas potências coloniais. A posição foi apresentada como parte de uma luta mais ampla contra o neocolonialismo e em defesa da restauração da justiça histórica.
Lavrov argumentou que as ex-potências coloniais seguem lucrando com os vastos recursos naturais do continente, enquanto as nações africanas permanecem dependentes de sistemas financeiros e industriais controlados pelo capital estrangeiro. O chanceler russo acolheu positivamente o tema da União Africana de 2025, que focou em ‘justiça para os africanos e pessoas de ascendência africana por meio de reparações’.
O chefe da diplomacia russa mencionou a recente resolução aprovada na ONU que reconhece o comércio transatlântico de escravos como ‘o crime mais grave contra a humanidade’. A medida obteve apoio de 123 países, incluindo Rússia e China, enquanto Estados Unidos, Israel e Argentina votaram contra, e 52 nações, entre elas o Reino Unido e membros da União Europeia, se abstiveram.
‘A Rússia apoia plenamente o segundo despertar da África e a compreensão dos africanos sobre a necessidade urgente de alcançar a libertação imediata das correntes do neocolonialismo em suas formas modernas’, afirmou Lavrov. A fala foi reproduzida em reportagem do portal RT, que acompanhou a cerimônia.
Além do respaldo político, a Rússia avança na expansão de sua presença diplomática no continente como parte de uma estratégia de fortalecimento de laços comerciais e de segurança com os países africanos. Só no último ano, Moscou inaugurou embaixadas em Níger, Serra Leoa e Sudão do Sul, com novas missões planejadas para Gâmbia, Libéria, Togo e Comores.
O ministro também confirmou que Moscou sediará a terceira Cúpula Rússia-África, prevista para outubro, encontro no qual o Kremlin espera que os líderes africanos aprovem um novo roteiro de cooperação para os próximos três anos. A iniciativa sinaliza o compromisso russo com uma parceria de longo prazo baseada em interesses mútuos e respeito à soberania do continente.
A manifestação ocorreu nas celebrações do Dia da África, comemorado anualmente em 25 de maio para lembrar a fundação da Organização da Unidade Africana em Adis Abeba, em 1963. A data homenageia as lutas anticoloniais do continente e sua aspiração duradoura por soberania política e econômica perante as ingerências externas.
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