A nova operação da Polícia Federal contra Cláudio Castro acendeu o alerta máximo no PL do Rio e aumentou a pressão para que o ex-governador desista da candidatura ao Senado.
Segundo Gerson Camarotti, do G1, aliados do partido avaliam que Castro se tornou um risco para a chapa bolsonarista no estado, especialmente depois de novas revelações ligadas ao Banco Master e aos aportes bilionários do Rioprevidência em fundos vinculados ao conglomerado de Daniel Vorcaro.
A pressão ocorre em um momento delicado. Mesmo condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral em março e inelegível, Castro ainda insistia em manter a pré-candidatura ao Senado. A nova ofensiva da PF, porém, ampliou a leitura de que sua permanência na disputa pode contaminar o palanque de Flávio Bolsonaro no Rio.
A CNN Brasil já havia informado que a cúpula do PL queria Castro fora do palanque após operação da PF envolvendo o grupo Refit. A avaliação interna era de que o ex-governador poderia inviabilizar sua candidatura e arrastar aliados para uma crise maior.
Agora, o problema ficou mais grave porque Castro também aparece no radar da investigação sobre o Banco Master. A PF apura investimentos de quase R$ 3 bilhões feitos pelo Rioprevidência, fundo responsável por aposentadorias e pensões de servidores do Rio, em estruturas ligadas ao banco de Vorcaro.
A crise atinge um ponto sensível: dinheiro de aposentados e pensionistas. Quando recursos previdenciários estaduais aparecem expostos a operações investigadas, o desgaste deixa de ser apenas jurídico e passa a ter impacto social e eleitoral.
A Veja classificou a nova operação como um “desastre político” para os planos de Flávio Bolsonaro e do bolsonarismo no Rio. A reportagem aponta que a ofensiva da PF enfraquece a candidatura de Castro ao Senado e amplia a pressão sobre aliados do senador do PL.
O problema para Flávio é estratégico. O Rio é seu principal território político. Uma chapa ao Senado contaminada por investigações, inelegibilidade e suspeitas envolvendo o Banco Master pode dificultar a tentativa de nacionalizar sua candidatura presidencial em 2026.
Castro já enfrentava dificuldades antes da nova operação. A Veja havia registrado que sua candidatura ao Senado dependia de uma reversão improvável no Supremo Tribunal Federal após a inelegibilidade. Com a entrada da PF em mais uma frente, aliados passaram a tratar sua sobrevivência política como cada vez menos viável.
A situação também revela o tamanho do desgaste do PL no Rio. O partido tenta manter força eleitoral no estado, mas acumula crises envolvendo figuras centrais do bolsonarismo fluminense. Flávio enfrenta o caso Vorcaro. Castro enfrenta operações da PF. E o palanque regional passa a ser visto como fator de risco.
Do ponto de vista jurídico, Castro tem direito à defesa, ao contraditório e à presunção de inocência. Ser alvo de operação não significa condenação. Mas, do ponto de vista eleitoral, o efeito já está instalado.
A pergunta dentro do PL deixou de ser se Castro quer disputar. Agora, é se o partido pode bancar sua candidatura sem pagar um preço maior em 2026.
Se desistir, o PL tentará reorganizar a chapa e reduzir danos. Se insistir, Castro pode transformar a eleição ao Senado em um prolongamento das investigações sobre sua gestão.
O recado dos bastidores é claro: depois da nova operação da PF, Cláudio Castro deixou de ser ativo eleitoral e passou a ser problema político para o bolsonarismo no Rio.