Uma análise da agência de notícias iraniana Mehr News aponta que os chamados Acordos de Abraão são uma imposição aos países muçulmanos como condição prévia para qualquer diálogo com o Irã. A matéria caracteriza a iniciativa do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, como uma rendição total aos interesses do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em detrimento da causa palestina.
Segundo a publicação, a adesão aos acordos valida a ofensiva militar de Israel em Gaza, que já resultou na morte de dezenas de milhares de civis. O portal iraniano traça um paralelo com eventos históricos como o massacre de Deir Yassin em 1948, afirmando que normalizar relações sem garantir os direitos palestinos significa endossar tais ações.
A análise da Mehr News contesta os supostos benefícios econômicos para signatários como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão, classificando os ganhos como ‘pífios’ diante do isolamento regional. Em contrapartida, o texto destaca que o Irã, mesmo sob décadas de sanções dos EUA, desenvolveu uma economia de resistência e fortaleceu sua soberania.
O portal iraniano afirma que Trump tornou a normalização com Israel uma condição obrigatória para qualquer negociação com Teerã, utilizando a questão como alavanca diplomática. Essa estratégia, descrita como uma coerção motivada pela aliança com Netanyahu, teria sido desafiada pela resistência do Irã, que alterou o equilíbrio de poder regional.
Outro ponto crítico levantado pela reportagem é que os acordos facilitam a instalação de embaixadas israelenses em nações muçulmanas, que serviriam como plataformas para operações de espionagem do Mossad. A agência iraniana recorda a invasão do Líbano por Israel em 1982 e os massacres de Sabra e Shatila como um precedente histórico dos perigos de tal presença.
A publicação argumenta que a história, desde a Declaração de Balfour até os sucessivos vetos dos EUA no Conselho de Segurança da ONU para proteger Israel, demonstra que concessões apenas encorajam a agressão. Neste cenário, a Mehr News posiciona o Irã como um exemplo de sucesso por ter resistido à ‘pressão máxima’ americana e desenvolvido suas próprias capacidades.
A armadilha central dos Acordos, segundo a análise, é a legitimação do status quo israelense, incluindo a expansão de assentamentos e o bloqueio de Gaza, sem qualquer contrapartida para a soberania palestina. Ao vincular o diálogo com o Irã a essa normalização, o eixo Trump-Netanyahu garante que Israel obtenha mercados e postos avançados de inteligência enquanto a causa palestina é marginalizada.
A agência iraniana conclui que a postura de resistência do Irã prova ser mais eficaz do que a capitulação, que seria uma derrota autoinfligida para as nações muçulmanas. Portanto, a reportagem defende que a rejeição aos acordos e a exigência de justiça plena para a Palestina são o único caminho para honrar as vítimas do conflito.
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