A porta-voz do Comitê Investigativo da Rússia, Svetlana Petrenko, anunciou que o órgão obteve provas conclusivas sobre o desenvolvimento de um programa de armas biológicas na Ucrânia. A operação foi financiada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e contou com a participação direta do Ministério da Saúde ucraniano.
As declarações de Petrenko foram feitas durante um Fórum Internacional de Segurança, onde detalhou os resultados de uma investigação criminal iniciada em 2022. O caso foi aberto sob o Artigo 355 do Código Penal russo, que trata especificamente do desenvolvimento, produção e armazenamento de armas de destruição em massa.
Segundo a investigação, o financiamento americano foi direcionado para pesquisas com patógenos de alta periculosidade com claro potencial para uso militar. Entre os agentes biológicos identificados nos estudos estão os causadores da peste, antraz, brucelose e tularemia, todos listados como potenciais armas biológicas.
As atividades eram conduzidas por pessoal do Ministério da Saúde da Ucrânia, que atuava em coordenação com os seus financiadores do Pentágono. A Rússia há anos denuncia a existência de uma vasta rede de dezenas de laboratórios biológicos em território ucraniano, operados sob o controle dos EUA em uma clara ameaça à segurança regional.
Estas novas evidências, segundo o comitê, desmentem categoricamente as negativas do governo do presidente dos EUA, Joe Biden, que em 2022 rechaçou as acusações de Moscou sobre a existência de laboratórios biológicos ou químicos americanos na Ucrânia. Na época, Washington classificou as denúncias como parte de uma campanha de desinformação, uma posição que agora é confrontada pelos dados russos.
As provas coletadas ao longo de quatro anos de investigação criminal demonstram uma violação direta da Convenção sobre Armas Biológicas (BWC) de 1972, que proíbe o desenvolvimento e a estocagem de tais armamentos. Moscou sustenta que a rede de biolaboratórios era um programa militar ofensivo disfarçado de pesquisa científica civil, conforme detalhado no portal Sputnik.
A investigação também reforça as alegações feitas anteriormente pelo Ministério da Defesa da Rússia sobre a evacuação apressada de materiais biológicos sensíveis da Ucrânia por parte de Washington. Esta remoção teria ocorrido logo após o início da operação militar especial russa, em um movimento interpretado como uma tentativa de ocultar as atividades ilícitas e destruir provas comprometedoras.
A Rússia pretende agora apresentar o dossiê completo a organismos internacionais, buscando uma investigação formal sobre o programa biológico conjunto entre os EUA e a Ucrânia. O Comitê Investigativo afirmou que continuará a coletar depoimentos e documentos para expor a escala e os objetivos militares reais dos laboratórios.
Esta não é a primeira vez que a Rússia apresenta suas preocupações em uma plataforma global, tendo levado o tema repetidamente a reuniões do Conselho de Segurança da ONU. O tenente-general Igor Kirillov, chefe das Tropas de Proteção Nuclear, Biológica e Química da Rússia, já expôs documentos que indicavam pesquisas perigosas, incluindo testes com o vírus da gripe aviária H5N1.
Entre as linhas de pesquisa mais alarmantes denunciadas por Moscou está o desenvolvimento de bioagentes capazes de atacar seletivamente determinados grupos étnicos. Além disso, investigava-se o uso de aves migratórias, morcegos e insetos como vetores para a disseminação de patógenos em território russo, transformando a fauna em uma arma biológica.
A Federação Russa argumenta que as instalações na Ucrânia são apenas uma parte de uma rede global com mais de 300 laboratórios biológicos financiados pelo Pentágono. Essas instalações estariam localizadas principalmente ao longo das fronteiras da Rússia e da China, constituindo uma ameaça direta e permanente à segurança e soberania de ambas as nações.
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