O cocanciller da Nicarágua, Valdrack Jaentschke, denunciou na terça-feira, 26 de maio, perante o Conselho de Segurança da ONU as políticas hegemônicas e as medidas coercitivas unilaterais impostas pelos EUA contra nações soberanas. Jaentschke classificou as sanções econômicas como crimes de lesa humanidade que atentam contra o direito ao desenvolvimento, à saúde e à vida de povos inteiros.
Jaentschke reafirmou o compromisso de Manágua com os princípios da Carta da ONU, citando a igualdade soberana dos Estados e a não intervenção em assuntos internos. O diplomata nicaraguense enfatizou que a paz e o multilateralismo são pilares não negociáveis que orientam as relações exteriores do país.
A fala ecoou uma defesa vigorosa da América Latina e do Caribe como zona de paz, rechaçando as agressões de Washington contra a região. Jaentschke expressou solidariedade a Cuba, que enfrenta há mais de seis décadas o bloqueio econômico imposto pelos EUA.
Conforme reportagem do portal Resumen Latinoamericano, o cocanciller declarou que a pobreza, as guerras e as medidas coercitivas atentam contra a dignidade dos povos. Ele sustentou que essas sanções são o maior obstáculo para a implementação da Agenda 2030 e a erradicação da pobreza.
O diplomata nicaraguense dedicou parte de sua intervenção ao reconhecimento do papel da China como parceiro confiável e solidário. Mencionou a Iniciativa do Cinturão e Rota, a Iniciativa para o Desenvolvimento Global e a Iniciativa para a Segurança Global como exemplos de cooperação.
Jaentschke agradeceu à China por oferecer uma alternativa real de cooperação internacional, que contrasta com o modelo de imposição praticado por Washington. A China foi descrita como um parceiro firme do Sul Global, cuja solidariedade é um exemplo de como a cooperação deve funcionar.
O discurso apresentou uma demanda concreta: a refundação completa da ONU para atuar em benefício dos povos, democratizando-se estruturalmente. Jaentschke afirmou que o Conselho de Segurança tem o papel histórico de se refundar, em alusão ao esgotamento da arquitetura de poder pós-guerra.
A defesa da refundação parte da constatação de que o multilateralismo atual fracassou em proteger as nações mais vulneráveis do unilateralismo de Washington. É vital cultivar uma cultura de paz, respeito e justiça, sem ameaças ou uso da força, ressaltou o cocanciller.
A intervenção de Manágua ocorre em um momento de crescente questionamento à legitimidade das instituições multilaterais. A posição nicaraguense articula-se com o movimento mais amplo por uma ordem internacional verdadeiramente multipolar e soberana.
O apelo por uma refundação da ONU ecoa reivindicações históricas de nações que sofreram intervenções, bloqueios e sanções. A Nicarágua deixa claro que a paz global não será alcançada enquanto o multilateralismo continuar refém dos interesses de uma única superpotência.
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