O progresso cauteloso e as vitórias sutis da cúpula Trump-Xi

O progresso cauteloso e as vitórias sutis da cúpula Trump-Xi

O presidente Donald Trump deixou a China em 15 de maio de 2026, após uma cúpula de dois dias com o líder chinês Xi Jinping. Segundo a fonte, Trump classificou a viagem como incrível, enquanto Xi afirmou que o encontro marcou uma nova relação bilateral.

Observadores mostraram-se menos entusiasmados, notando que nenhum avanço importante ficou evidente no encontro entre os dois líderes políticos mais poderosos do mundo.

Yan Bennett, especialista em relações EUA-China e autora de American Policy Discourses on China, apresentou três conclusões principais sobre a cúpula.

Taiwan: retórica dura mas status quo mantido

Segundo a análise, ninguém esperava movimento real sobre Taiwan, território sobre o qual a China continental reivindica soberania. Pequim gostaria que os Estados Unidos adotassem posição mais firme contra eventual declaração de independência da ilha.

Xi reiterou no primeiro dia da cúpula que a questão de Taiwan permanecia como o tema mais importante nas relações China-EUA, e que qualquer má gestão poderia levar a confrontos e até conflitos.

Segundo a fonte, essa declaração visava dois públicos. Primeiro, Xi precisava se dirigir à audiência doméstica: o Partido Comunista Chinês tem cerca de 100 milhões de membros, muitos dos quais esperavam que Xi falasse com firmeza sobre Taiwan.

A Estratégia de Segurança Nacional de 2025 dos EUA enfatizou que Washington se opõe a ação unilateral sobre Taiwan de qualquer das partes, sinalizando a Pequim que também se opõe à declaração de independência taiwanesa.

Trump mencionou acordos de venda de armas para Taiwan. Mas a política declaratória dos EUA desde a administração Reagan é que Washington não permite que Pequim participe de discussões sobre quais armas vende a Taiwan.

Segundo a fonte, o compromisso de tratado dos EUA com Taiwan desde 1979 exige que Washington forneça armas defensivas para manter capacidade de autodefesa suficiente.

A análise indica que, retórica à parte, todos estão satisfeitos com o status quo sobre Taiwan, pois não é do interesse de ninguém que isso mude.

Xi estabeleceu marcos para modernização do Exército de Libertação Popular, incluindo que a força deveria ser capaz de invadir Taiwan até 2027. Isso foi mal interpretado nos EUA sob a chamada janela Davidson, conceito que sugere que a China pretende invadir naquele momento.

Segundo a fonte, na realidade a China está longe de conseguir fazê-lo. O país não possui marinha de águas azuis capaz de operar sem assistência portuária, e a ilha é extremamente difícil de invadir.

A linha do tempo de modernização de Xi também estabelece que o Exército de Libertação deveria ser militar de classe mundial até 2049. Mas o fato de a China gastar mais em segurança interna do que em defesa indica onde estão os verdadeiros interesses do Partido Comunista Chinês: na segurança doméstica em vez de capacidades externas.

Comércio: expectativas reduzidas

Segundo a análise, EUA e China têm tentado reestabilizar o que até recentemente era relação muito boa em termos de vínculos econômicos.

A China quer recuperar o mercado americano que tinha nos anos 1990 e início dos anos 2000, e certamente reverter a tendência desde a guerra comercial de 2018.

Trump desde sua primeira administração deixou claro que vê o controle chinês sobre cadeias de suprimento e o desequilíbrio comercial como questão de segurança nacional. Washington também quer abordar práticas comerciais injustas, como a exigência de que empresas americanas entreguem projetos, segredos comerciais, listas de clientes e planos de marketing para operar.

Segundo a fonte, na superfície muito pouco foi alcançado na cúpula. Houve algum movimento sobre vendas de carne bovina dos EUA para a China. Trump anunciou que Pequim compraria 200 aeronaves da Boeing, número inferior aos 500 que haviam sido mencionados anteriormente em reportagens da mídia.

Várias empresas chinesas concordaram em comprar microchips da Nvidia, continuação de processo que começou no final de 2025.

Segundo a análise, foi revelador que o próprio Trump não estava sendo muito trumpiano sobre o que poderia ser alcançado durante a cúpula. Ele não estava prometendo a lua.

Mas Xi e Trump concordaram em estabelecer um Conselho de Comércio e Conselho de Investimento, destinados a criar caminho para mais comércio nos próximos meses.

Segundo a fonte, a China está cerca de 18 meses atrás dos EUA no desenvolvimento de microchips. A posição dos EUA é que não pode permitir que a Huawei, gigante chinesa de telecomunicações, assuma todo o mercado chinês, então permitirá apenas a venda do que considera chips Nvidia de nível apropriado.

Assuntos militares: Washington quer diálogo

Durante a Guerra Fria, a União Soviética e os EUA sempre mantiveram linhas militares de comunicação abertas para evitar incidente catastrófico. Segundo a fonte, isso não tem sido o caso entre Pequim e Washington.

A análise cita o incidente de 2001, quando aeronave dos EUA colidiu com jato chinês, e novamente o incidente do balão espião chinês em 2023.

Segundo a fonte, Washington busca abrir linha de comunicação sobre assuntos militares.

Fonte: Asia Times

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