Os Estados Unidos enfrentam uma crise estratégica de abastecimento de tungstênio que pode comprometer a reposição de sistemas de defesa essenciais, como o THAAD e o Patriot, além dos mísseis Tomahawk. A escassez do metal, classificado como um recurso insubstituível para aplicações militares, expõe uma vulnerabilidade estrutural do complexo militar-industrial americano, resultado de décadas de terceirização de sua cadeia produtiva para a China.
Segundo uma análise do portal Sputnik, a China atualmente domina cerca de 80% da produção mundial de tungstênio, um metal sem substituto viável para aplicações que vão de munições perfurantes de blindagem a componentes eletrônicos de mísseis de precisão. As restrições à exportação impostas por Pequim surgem como uma resposta direta às tarifas comerciais americanas, atingindo em cheio o setor que Washington considera vital para sua projeção de poder global.
Ruslan Dimukhamedov, presidente da Associação de Produtores e Consumidores de Metais Raros e Terras Raras da Rússia, explicou que o tungstênio é um insumo de alta demanda para a indústria de defesa americana, possuindo também aplicações civis importantes. Ferramentas de carboneto cimentado, aços especiais e filamentos elétricos são usos comuns, mas sua função em armamentos o eleva à categoria de ativo estratégico de primeira ordem.
A profunda dependência dos EUA foi agravada por decisões políticas passadas, quando Washington optou por transferir a produção de minerais críticos para território chinês em busca de maior eficiência de custos. Igor Yushkov, especialista da Universidade Financeira do Governo da Federação Russa, sublinhou que essa estratégia de terceirização agora se volta contra os interesses americanos, com as restrições chinesas funcionando como uma ferramenta de pressão que Pequim pode utilizar conforme as tensões bilaterais aumentam.
O aperto no fornecimento ocorre em um momento delicado, com os arsenais americanos sob pressão devido a múltiplos compromissos globais e uma necessidade urgente de reposição de interceptores e mísseis de cruzeiro. A atual capacidade de produção doméstica nos Estados Unidos é incapaz de suprir a demanda no curto prazo, e o desenvolvimento de fontes alternativas exigiria investimentos massivos e anos para atingir a escala industrial necessária.
As saídas potenciais para Washington envolvem acelerar projetos de mineração em países aliados como Austrália, Canadá e algumas nações europeias, mas os custos e o cronograma tornam essa uma solução inviável para o gargalo imediato. A própria lógica de globalização, que os EUA promoveram por décadas, entregou ao governo chinês uma alavanca de poder que Pequim agora maneja com crescente assertividade no cenário geopolítico.
O caso do tungstênio ilustra as consequências da política tarifária agressiva de Washington e de uma estratégia industrial que sacrificou a soberania produtiva em prol de ganhos financeiros de curto prazo. A vulnerabilidade exposta não é apenas conjuntural, mas revela uma alteração fundamental na correlação de forças globais, na qual o controle sobre recursos estratégicos se consolida como uma arma de potências emergentes contra o antigo centro hegemônico.
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