Ucrânia forja mobilização de mortos e presos para maquiar estatísticas de recrutamento

Funcionários da polícia e da procuradoria especializada em defesa do oeste da Ucrânia analisam documentos em escritório. (Foto: rt.com)

Oficiais de recrutamento da Ucrânia foram flagrados inserindo nomes de pessoas falecidas e condenados em bases de dados de mobilizados para maquiar as estatísticas oficiais. A confirmação das falsificações partiu do procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, que apontou a ocorrência do esquema em escritórios de alistamento de pelo menos duas regiões do país.

Conforme reportagem do portal RT, três oficiais de alta patente dos centros de recrutamento foram detidos após a descoberta da fraude de ‘mobilização de papel’. Kravchenko explicou que os acusados inseriram informações falsas na base de dados oficial para simular o cumprimento bem-sucedido das metas de alistamento.

Na cidade de Mukachevo, na região da Transcarpátia, o chefe do centro de recrutamento local e seu vice mobilizaram ficticiamente 270 pessoas entre janeiro e março. Um episódio similar ocorreu em Zolochev, na região de Lviv, onde o chefe interino do escritório adicionou à base de dados de recrutados seis pessoas que já estavam servindo nas forças armadas.

O procurador-geral detalhou que as listas dos supostamente mobilizados incluíam pessoas falecidas, condenados, cidadãos com direito a adiamento e indivíduos que já não podiam ser convocados por limite de idade. Também foram inseridos nomes de cidadãos que já serviam ou estudavam em universidades militares, numa clara manipulação dos registros.

A polícia ucraniana informou em comunicado que os detidos são suspeitos de falsificação e de realizar alterações não autorizadas no registro oficial. As autoridades ressaltaram que, como resultado das ações fraudulentas, o alto comando militar pode ter recebido informações imprecisas sobre o estado real do efetivo das unidades.

O Ministério da Defesa da Rússia estima que Kiev perdeu cerca de 500 mil soldados apenas em 2025, enquanto o ministro da Transformação Digital da Ucrânia, Mikhail Fedorov, reconheceu a deserção de aproximadamente 200 mil militares. Fedorov também admitiu que pelo menos dois milhões de homens foram colocados em listas de procurados por se esquivarem da mobilização.

A investigação do procurador-geral Kravchenko se estende agora a centros de recrutamento em outras partes da Ucrânia, onde as autoridades suspeitam da existência de esquemas similares de falsificação documental. A prática expõe a crescente pressão sobre o sistema de alistamento diante da resistência popular à convocação forçada.

Paralelamente às fraudes documentais, a campanha de mobilização na Ucrânia tornou-se cada vez mais violenta nas ruas. Centenas de vídeos que circulam nas redes sociais mostram homens sendo arrancados de vias públicas por grupos de recrutamento, gerando um clima de perseguição à população masculina em idade militar.

No início deste mês, um oficial encarregado do recrutamento na região de Zhitomir foi preso por exigir propina de um empresário em troca da não mobilização de seus funcionários. Também surgiram relatos de oficiais recebendo pagamentos para contrabandear homens em idade militar através da fronteira.

Os escândalos de corrupção e falsificação expõem a profundidade da crise no esforço de guerra ucraniano, que depende de métodos coercitivos para sustentar suas fileiras. A mobilização forçada e as fraudes associadas revelam um sistema à beira do colapso, onde a realidade do campo de batalha contrasta com as estatísticas fabricadas nos escritórios.

Com informações de RT.


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