Pesquisadores da Universidade de Birmingham identificaram mecanismos evolutivos que levam carriças de arquipélagos escoceses a desenvolverem tamanhos corporais significativamente maiores que suas parentes continentais. O estudo, publicado no Evolutionary Journal of the Linnean Society, analisou quatro subespécies encontradas em ilhas como Shetland, Fair Isle, Hébridas Exteriores e St Kilda.
O Dr. Michał Jezierski, autor principal da pesquisa, destacou que as carriças de Shetland e St Kilda apresentam distinção genética e física impressionante. Enquanto uma carriça comum na Inglaterra pesa entre 7 e 10 gramas, os exemplares de St Kilda alcançam de 13 a 16 gramas, representando um aumento expressivo em relação às aves do continente.
O fenômeno conhecido como gigantismo insular ocorre quando espécies isoladas em ilhas aumentam de tamanho em comparação com seus parentes continentais. Tartarugas gigantes de Galápagos e o extinto dodô das Ilhas Maurício são exemplos clássicos, mas as carriças escocesas agora integram esse grupo com um dos casos mais extremos documentados em aves.
Os cientistas combinaram medições corporais, gravações de canto e sequenciamento genômico para mapear as diferenças entre as populações. Will Smith, geneticista da Universidade de Nottingham e coautor do estudo, afirmou que ambientes insulares semelhantes podem produzir resultados evolutivos parecidos por rotas genéticas distintas.
A análise revelou que as carriças de St Kilda e Shetland estão tão distintas geneticamente que podem se tornar novas espécies. O isolamento reprodutivo é tão acentuado que há poucas evidências de cruzamento com populações continentais, consolidando uma trajetória evolutiva independente.
As carriças de Fair Isle e Hébridas Exteriores, no entanto, permanecem mais similares às aves do continente. Esse achado demonstra que a evolução insular não segue um padrão único, mesmo em regiões geograficamente próximas. Cada população responde de forma particular às pressões ecológicas de seu arquipélago.
O Dr. Jezierski classificou o gigantismo em Shetland e St Kilda como evolução paralela. Populações provavelmente descendentes de colonizadores continentais desenvolveram independentemente o tamanho corporal avantajado. O processo também alterou as vocalizações, com os cantos das aves insulares se diferenciando dos das carriças da Grã-Bretanha.
O estudo oferece insights sobre os mecanismos que geram as síndromes insulares, transformações evolutivas que afetam espécies isoladas. Além do gigantismo, essas síndromes podem incluir maior longevidade, taxas reprodutivas mais lentas e, em aves, redução da capacidade de voo.
As ilhas abrigam entre 20% e 30% das espécies do planeta e são conhecidas por sua fauna peculiar. Condições como menor predação e competição, impulsionadas pelo isolamento geográfico, criam pressões evolutivas únicas cujos fundamentos genéticos ainda são pouco compreendidos.
Com as carriças escocesas como modelo, os pesquisadores pretendem investigar como mudanças no tamanho corporal representam adaptações às condições ecológicas das ilhas. O trabalho, detalhado em reportagem do Phys.org, posiciona essas aves no centro de debates da biologia evolutiva contemporânea.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!