Uma orquestra de tambores e apitos encheu o salão da Universidade de Belém durante a apresentação dos projetos de graduação. Famílias circularam com flores e celulares erguidos para fotos, mas sob a celebração havia um medo silencioso.
Siwar Abu Kamal, estudante de negócios de 21 anos, planejava obter o diploma, encontrar um emprego e construir uma vida. Agora, no último ano, esse plano parece cada vez mais distante.
A jovem afirmou que a realidade se torna mais chocante com o tempo. Quase 40% dos jovens palestinos na Cisjordânia ocupada com pelo menos um diploma estão desempregados, segundo dados do Instituto de Pesquisa de Política Econômica da Palestina (MAS).
O desemprego geral mais que dobrou desde outubro de 2023, atingindo 35,2% no início de 2024 e permanecendo em 27,5% no final de 2025. Israel suspendeu indefinidamente as autorizações de trabalho para 115 mil palestinos da Cisjordânia que trabalhavam em seu território, renovando apenas uma fração dessas permissões.
Christy Abu Mahour, colega de Siwar, expressou a frustração de ver pessoas no mundo conseguindo empregos enquanto sua geração permanece estagnada. Não temos as mesmas opções que todo mundo, desabafou.
Khaled Abu Aishah, estudante de mídia, questionou o sentido do esforço acadêmico sem perspectivas de trabalho. Estudei para não conseguir um emprego?, perguntou com indignação.
Enass Elias, conselheira acadêmica da Universidade de Belém, ouve essa pergunta com frequência crescente. Esses estudantes dão o melhor nos estudos e chegam a questionar o valor do diploma. Psicologicamente, estão exaustos, afirmou.
Salsabyl Salama, formada em fisioterapia em 2023, encontrou apenas uma colocação temporária de quatro meses em um campo de refugiados. Agora trabalha no caixa de um supermercado, longe dos sonhos de atuar na saúde.
Não é o que eu sonhei, mas me permite depender de mim mesma, disse com resignação. Elias testemunha esse padrão constantemente: quando um hospital anuncia duas vagas, há 60 ou 70 graduados competindo por elas.
Muitos empregadores exigem experiência prévia, fechando as portas para recém-formados. O setor público, antes visto como caminho estável, tornou-se incerto e rejeitado pelos jovens.
Desde 2021, a Autoridade Palestina enfrenta dificuldades para pagar salários porque Israel retém receitas fiscais palestinas. A prática se intensificou após outubro de 2023, deixando bilhões em salários não pagos até meados de 2025, segundo o Banco Mundial.
Salsabyl afirmou que preferiria ficar em casa a trabalhar no governo sem receber salário integral. A crise impulsiona um êxodo crescente de talentos palestinos qualificados, alertou Maher Canawati, ex-prefeito de Belém.
Vemos médicos trabalhando em restaurantes, arquitetos com dificuldades, enfermeiras implorando por trabalho, disse. Todos os tipos de graduados só querem viver uma vida normal.
Cerca de 1.080 pessoas com pelo menos mestrado deixaram a província de Belém nos últimos três anos. Todos os cérebros estão partindo, conseguindo documentos de imigração e deixando a Palestina sem aqueles que poderiam construir a economia, lamentou Canawati.
Por décadas, palestinos recorreram a trabalhos além da Linha Verde, com empresas israelenses oferecendo principalmente trabalho braçal mal remunerado. O MAS apontou que essa dependência transformou os trabalhadores palestinos em reféns políticos.
Para Salsabyl, abandonar sua área de formação foi a única saída viável. Ela se inscreveu em um curso de confeitaria junto com o emprego no supermercado. Eu estava começando a perder a esperança, mas a esperança voltou para mim, contou.
Na Universidade de Belém, Elias passou seis anos tentando conectar graduação e emprego. Sempre tentei dizer a eles: este diploma é sua arma e seu passaporte, você não sabe o que vai acontecer, afirmou.
As celebrações de formatura continuaram até o fim da tarde. Estudantes em roupas formais circularam pelo pátio enquanto famílias se reuniam para fotografias. Há felicidade aqui, disse Siwar sobre os tambores e aplausos. Nós nos agarramos à esperança porque as pessoas merecem felicidade.
Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.
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