O degelo acelerado do permafrost no arquipélago de Svalbard, no Oceano Ártico, revela restos humanos de baleeiros europeus que atuaram na região entre os séculos XVII e XVIII. O local, conhecido como Ponta dos Cadáveres, expõe esqueletos preservados por séculos sob o gelo.
A pesquisa, publicada na revista PLOS One, foi liderada pela arqueóloga Lise Loktu e pela antropóloga forense Elin Therese Brødholt. O estudo reconstitui as condições de vida e morte desses trabalhadores, além de alertar para a destruição de sítios arqueológicos pelo aquecimento global.
A caça às baleias em Svalbard começou em 1612, após a chegada do explorador holandês Willem Barentsz. Em poucas décadas, centenas de navios europeus operavam na região durante os verões árticos, estabelecendo assentamentos temporários como Smeerenburg.
Os cemitérios improvisados recebiam os corpos dos baleeiros que morriam durante as expedições. Com o degelo, as ossadas são expostas pela erosão costeira, permitindo análises forenses inéditas sobre o sofrimento desses trabalhadores.
A análise de 19 esqueletos revelou que todos pertenciam a homens jovens, entre 20 e 25 anos. Desses, 18 apresentavam sinais de escorbuto, doença causada pela falta de vitamina C que provoca sangramentos e fadiga extrema.
Os pesquisadores também identificaram casos de raquitismo e desnutrição infantil. Mesmo jovens, a maioria dos esqueletos exibia sinais de osteoartrite, condição degenerativa associada ao envelhecimento.
As lesões concentravam-se na parte superior do corpo, indicando esforço repetitivo intenso. Fraturas antigas e lesões na coluna já cicatrizadas confirmam que as mortes resultavam do acúmulo de desgaste físico extremo.
O estudo alerta para o impacto do aquecimento global na preservação de registros arqueológicos. O degelo acelerado ameaça destruir memórias históricas das condições de trabalho que marcaram a exploração do Ártico.
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