Uma pesquisa publicada no Journal of Cosmology and Astroparticle Physics apontou os blazares como a provável fonte do neutrino mais energético já detectado pela ciência. A partícula, registrada pelo observatório submarino KM3NeT no Mar Mediterrâneo, apresentou uma energia estimada em 220 milhões de bilhões de elétron-volts, superando em 30 mil vezes a capacidade do Grande Colisor de Hádrons.
Os blazares são núcleos ativos de galáxias onde buracos negros supermassivos aceleram jatos de radiação em direção à Terra. Segundo o estudo, esses fenômenos cósmicos funcionam como aceleradores naturais de partículas, capazes de produzir neutrinos com energias extremas. A pesquisadora Meriem Bendahman, integrante da colaboração KM3NeT, liderou simulações que analisaram a capacidade desses objetos de gerar partículas com a potência observada.
O observatório KM3NeT, instalado a 3.450 metros de profundidade, capturou a passagem do neutrino ao detectar um múon, partícula subatômica produzida durante a interação. Neutrinos são conhecidos por sua capacidade de atravessar matéria sem interagir, o que os torna extremamente difíceis de detectar. Conforme destacou o Olhar Digital, a ausência de emissões eletromagnéticas na região de origem da partícula descartou eventos explosivos isolados, como supernovas.
A equipe também utilizou dados do telescópio espacial Fermi, da NASA, que monitora raios gama no Universo. Essa radiação está frequentemente associada à produção de neutrinos de alta energia. Os cálculos consideraram a intensidade dos campos magnéticos dos blazares, a distribuição de energia e a relação entre prótons e elétrons nos jatos emitidos.
O estudo concluiu que uma população realista de blazares pode explicar a origem do neutrino recordista. No entanto, os pesquisadores ressaltaram que novas observações são necessárias para confirmar a hipótese. Caso validada, a descoberta poderá ampliar o entendimento sobre os mecanismos de aceleração de partículas em buracos negros supermassivos.
Neutrinos ultraenergéticos são raros, e nem o KM3NeT nem o Observatório IceCube, na Antártica, haviam registrado fenômenos semelhantes antes. A energia da partícula detectada exigiria um acelerador artificial com cerca de 40 mil quilômetros de extensão, equivalente à circunferência da Terra, para ser reproduzida em laboratório.
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