Flávio Bolsonaro busca Trump para blindar campanha do escândalo Master

Imagem divulgada por www.ocafezinho.com

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou em Washington nesta terça-feira, 26 de maio, para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não constava da agenda pública da Casa Branca. A reunião foi confirmada por um funcionário americano sob anonimato, segundo a Associated Press.

Conforme reportagem do O Cafezinho, a manobra ocorre em meio a revelações do Intercept Brasil sobre vínculos financeiros entre o parlamentar e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A investigação apontou que Vorcaro teria negociado aportes milionários para o longa-metragem Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Documentos, mensagens e áudios obtidos pela Polícia Federal indicam que ao menos US$ 10,6 milhões já foram pagos ao projeto do filme. A negociação total prevista poderia chegar a US$ 24 milhões, apurou o Intercept.

A agência AP acrescenta que vazamentos de conversas na apuração mostraram cerca de US$ 12 milhões recebidos de Vorcaro. A Polícia Federal estima em R$ 12 bilhões o montante da fraude atribuída ao Banco Master.

A PF avalia que os valores podem estar ligados a esquemas de lavagem de dinheiro na instituição, que sofreu intervenção do Banco Central em março. A defesa de Flávio alega que a produção do filme foi regular e que o senador não teve ingerência nos repasses.

O senador nega qualquer irregularidade e afirma que os recursos estavam ligados exclusivamente à produção da cinebiografia. A divergência central é que os pagamentos são reportados pela imprensa, mas a conclusão penal sobre suposta finalidade ilícita permanece em investigação.

Durante a visita, Flávio tentou deslocar o foco do escândalo para a segurança pública, pedindo a Trump que classifique o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi registrada pela AP e repercutida por veículos como o UOL.

O governo Lula se opõe a essa classificação, argumentando que a medida poderia gerar interferência externa em temas de soberania nacional. Flávio aproveitou para atacar o presidente, acusando-o de proteger criminosos sem apresentar provas.

O pano de fundo é a disputa eleitoral de 2026, em que o senador busca consolidar seu nome como presidenciável pelo PL. Lula teve uma reunião de três horas com Trump em 7 de maio, conforme noticiou a AP, e o palanque digital de Flávio tenta agora demonstrar que ele também possui interlocução na Casa Branca.

A diferença é que sua viagem ocorre sob a sombra direta do caso Master, que ameaça contaminar alianças políticas, financiamento de campanha e a imagem pública do projeto bolsonarista. O risco para o senador é duplo: na esfera jurídica, a investigação sobre o Banco Master pode gerar novos desdobramentos, e no campo político, adversários à direita já usam o escândalo para questionar sua viabilidade.

A AP citou declaração de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e presidenciável, que questionou a idoneidade de Flávio diante das denúncias. A investida do senador revela uma estratégia de blindagem política com o capital simbólico de Trump.

O longa Dark Horse, que retrata a vida de Jair Bolsonaro, teve custos de produção estimados em cifras milionárias, mas críticos apontam que o orçamento inflado pode esconder desvios. A investigação da PF busca rastrear a origem e o destino dos recursos, incluindo transferências internacionais.

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, já foi alvo de inquéritos anteriores sobre fraudes contábeis e processos na Comissão de Valores Mobiliários. Sua proximidade com a família Bolsonaro data de anos, mas o financiamento ao filme lançou nova luz sobre a conexão financeira.

Para 2026, a ofensiva de Flávio tenta pautar a agenda de segurança pública contra o governo Lula enquanto acena à base radical com o apoio do ex-presidente americano. O peso do escândalo financeiro, contudo, pode inviabilizar alianças com setores do centro e da direita pragmática.

Ademais, a condição de investigado mantém o senador sob risco de novos fatos desabonadores a qualquer momento, minando a previsibilidade eleitoral. O controle do PL e o acesso a recursos de campanha também ficam sob questionamento, uma vez que doadores e partidos podem se afastar de um nome judicialmente frágil.

Dentro do PL, caciques observam a crise com cautela, temendo que o nome de Flávio arraste a legenda para o centro de escândalos. Parlamentares da sigla já começam a ventilar a possibilidade de um nome alternativo para 2026, caso a investigação se agrave.

A viagem a Washington é tentativa de criar um fato político que neutralize o noticiário negativo, mas o sucesso depende de o caso Master não avançar para um estágio que torne a candidatura insustentável. O Brasil observa a movimentação enquanto os desdobramentos financeiros seguem sob análise da Polícia Federal.

Leia também: Toda a cobertura dos escândalos da família Bolsonaro.


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