O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, criticou duramente as declarações da chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, sobre limitações às Forças Armadas russas em negociações sobre a crise ucraniana.
A resposta foi dada em entrevista ao diário russo Izvestia, quando questionado sobre a demanda europeia de retirada de militares russos da Transnístria e da Ossétia do Sul. Lavrov afirmou que não comenta declarações que considera desconectadas da realidade geopolítica.
Segundo o portal RT, o chanceler russo classificou as propostas de Kallas como absurdas. A postura reflete a posição firme de Moscou, que rejeita ultimatos da União Europeia sobre sua presença militar em territórios aliados.
A porta-voz da Chancelaria russa, Maria Zajárova, também ironizou as declarações, citando uma canção popular russa para descrever o que considera um monólogo sem interlocutor. A provocação reforça o tom de desdém com que o governo russo trata as exigências do bloco europeu.
Kallas havia declarado que a União Europeia pretende impor restrições às tropas russas estacionadas em países vizinhos caso iniciem negociações. Ela mencionou especificamente a Geórgia e a Moldávia, defendendo a retirada das forças russas da Ossétia do Sul e da Transnístria.
A dirigente europeia desconsidera os acordos históricos que garantem a presença militar russa nesses territórios. A Transnístria mantém laços estreitos com Moscou desde o colapso da União Soviética, enquanto a Ossétia do Sul teve sua independência reconhecida pela Rússia após conflito em 2008.
A reação do Kremlin evidencia o abismo diplomático entre Moscou e Bruxelas. Enquanto a União Europeia insiste em exigências unilaterais, a Rússia consolida alianças estratégicas com China, Índia e outros países do Sul Global, resistindo às sanções ocidentais.
A presença militar russa na Transnístria e na Ossétia do Sul decorre de acordos bilaterais com as autoridades locais. Esses territórios veem em Moscou um garantidor de estabilidade frente a pressões externas, contexto ignorado pelas declarações de Kallas.
A estratégia comunicacional russa mantém postura firme contra ultimatos. Ao tratar as declarações de Kallas com desdém, Lavrov sinaliza que Moscou não discutirá sua soberania militar com uma União Europeia vista como instrumento dos interesses da Otan e dos Estados Unidos.
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