Marrocos conquistou o primeiro lugar no Índice de Industrialização da África, segundo relatório do Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB). O país ultrapassou a África do Sul, que ocupava a posição desde 2010.
O Índice de Industrialização da África 2025 atribuiu a Marrocos 0,8415 pontos, superando os 0,8396 da África do Sul. A nação sul-africana registrou queda gradual em sua competitividade, caindo de 0,8819 pontos em 2010.
O índice avalia três dimensões: desempenho industrial, impulsionadores diretos como investimento e infraestrutura, e fatores indiretos, incluindo ambiente de negócios e Estado de direito. A análise abrangeu as 54 nações do continente.
Países árabes dominaram as primeiras posições, com Egito em terceiro lugar (0,7827 pontos) e Tunísia em quarto (0,7760). A Argélia garantiu a sexta colocação com 0,6661 pontos, consolidando quatro nações árabes entre as seis mais industrializadas da África.
O relatório destacou Marrocos, África do Sul, Egito e Tunísia como o quarteto industrial líder do continente. As Ilhas Maurício, Eswatini, Senegal, Namíbia e Costa do Marfim completaram o top 10.
O Norte da África manteve-se como a região mais industrializada em 2025, com 0,6891 pontos, à frente da África Austral (0,5850). A maioria das nações norte-africanas superou a média continental, exceto Líbia e Mauritânia.
Apesar dos avanços, o progresso da industrialização africana permanece lento e desigual. O AfDB apontou que 41 dos 54 países melhoraram suas pontuações entre 2010 e 2025, mas apenas 24 subiram no ranking geral.
O Valor Agregado da Manufatura (MVA) do continente cresceu de 285 bilhões de dólares em 2020 para 351 bilhões em 2025. Ainda assim, a África representa menos de 2% da produção industrial global.
O MVA per capita atingiu 226,7 dólares em 2025, abaixo do pico de 254,9 dólares registrado em 2014. A fraca integração regional foi apontada como um dos principais gargalos para o crescimento industrial.
O comércio intra-africano respondeu por apenas 14,4% do total entre 2022 e 2025. Em comparação, o comércio intrarregional representa 60% na Ásia e 57% na Europa.
O AfDB destacou que o desafio vai além das tarifas, incluindo barreiras não tarifárias, infraestrutura precária e a necessidade de cadeias de valor regionais mais desenvolvidas. A implementação da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) é vista como solução para reverter esse cenário.
As projeções indicam que a AfCFTA pode elevar a renda dos africanos em 7% até 2035, gerando até 450 bilhões de dólares em valor adicional. As estimativas preveem um salto de 48% no comércio intra-africano de manufaturados até 2045.
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