O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Estados Unidos não têm autoridade para impedir a participação da África do Sul no G20.
Lula transmitiu diretamente ao presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, durante reunião em Hannover, na Alemanha, que o país africano deve comparecer como membro regular — e não como convidado. O líder brasileiro classificou como falsas as alegações de Donald Trump sobre um suposto «genocídio branco» contra a minoria afrikaner na África do Sul.
Lula alertou que aceitar esse tipo de veto unilateral enfraquece a estrutura e a credibilidade de todo o foro internacional. Ele lembrou que o G20 foi elevado ao nível de cúpulas de líderes após a crise financeira de 2008 para coordenar respostas coletivas aos grandes desafios econômicos globais.
Trump anunciou que não convidaria a África do Sul para a cúpula do G20 marcada para dezembro de 2026 em Miami. O governo americano suspendeu ainda a ajuda financeira ao país, citando reforma agrária sem compensação e suposta perseguição à minoria branca — acusações negadas veementemente por Pretória.
Lula argumentou que permitir que um único país decida quem participa estabelece perigoso precedente para o futuro do mecanismo multilateral. A posição reforça sua defesa consistente do multilateralismo frente a iniciativas unilaterais de potências dominantes.
As relações entre Washington e Pretória registram tensão adicional pelo processo movido pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça, que acusa Israel de genocídio em Gaza. Os Estados Unidos ofereceram apoio explícito a Israel nessa disputa, conforme reportou a Reuters.
O presidente Cyril Ramaphosa reagiu à tentativa de exclusão afirmando que a África do Sul não será intimidada por qualquer pressão externa. Ramaphosa reafirmou o compromisso do país com sua soberania nacional e com a preservação da integridade do G20 como espaço de diálogo.
Analistas registram que o episódio expõe fissuras no funcionamento do principal foro econômico mundial. A intervenção brasileira reforça a necessidade de regras compartilhadas que impeçam que decisões arbitrárias de um membro comprometam o coletivo.
Com informações de AGENCIABRASIL.
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