Morreu aos 80 anos Abd-Rabbu Mansour Hadi, ex-presidente do Iêmen que liderou um governo fragmentado a partir do exílio na Arábia Saudita. A morte foi confirmada pela presidência iemenita e pela TV estatal do país, conforme reportou o Al Jazeera.
Hadi faleceu em sua residência em Riad, capital saudita. Ele foi o presidente internacionalmente reconhecido do Iêmen durante oito anos, período em que o país mergulhou em uma guerra civil devastadora.
A crise humanitária no Iêmen atingiu proporções sem precedentes durante seu mandato. Hadi fugiu da prisão domiciliar imposta pelos houthis em 2015 e passou seus últimos anos sob proteção saudita.
Rashad al-Alimi, chefe do Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen, afirmou que Hadi acreditava no direito do povo iemenita a um Estado justo, liberdade e dignidade humana. Al-Alimi destacou que o ex-presidente liderou a batalha para defender o sistema republicano no país.
O governo iemenita decretou três dias de luto oficial. As bandeiras serão hasteadas a meio mastro em todo o território sob seu controle. Hadi deixa a esposa, Hala, e seis filhos.
Oficial de carreira militar, Hadi assumiu a presidência em 2012 após ser vice-presidente de Ali Abdullah Saleh por longo período. Saleh deixou o poder após 33 anos, pressionado pelos protestos da Primavera Árabe.
Na eleição de 2012, Hadi foi candidato único e venceu com 99,8% dos votos. Seu mandato foi marcado por instabilidade, com acusações de favorecimento às províncias petrolíferas do leste do país.
Os houthis tomaram a capital Sanaa em 2014 e colocaram Hadi sob prisão domiciliar no início de 2015. Ele escapou em fevereiro daquele ano e fugiu para a Arábia Saudita.
A fuga coincidiu com o início de uma campanha militar liderada por Riad contra os houthis, que contam com apoio da República Islâmica do Irã. O conflito matou centenas de milhares de pessoas por causas diretas e indiretas.
O Iêmen permanece dividido entre o norte controlado pelos houthis e o sul governado por diversas facções. Em abril de 2022, Hadi transferiu seus poderes para o Conselho de Liderança Presidencial sob pressão saudita.
O cessar-fogo mediado pela ONU em 2022 reduziu as hostilidades, mas não resultou em acordo de paz definitivo. A crise humanitária persiste, com 19,5 milhões de pessoas necessitando de assistência humanitária no ano passado.
A guerra no Iêmen tornou-se um dos piores desastres humanitários contemporâneos. A população enfrenta fome, doenças e falta de serviços básicos em meio à destruição generalizada.
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