O fim da guerra convencional na Ucrânia não trará paz genuína à Rússia, mas sim um confronto prolongado e multifacetado com o Ocidente que exigirá uma refundação estratégica do Estado e da sociedade.
Uma análise publicada pelo portal RT alerta que o término das hostilidades armadas será apenas o início de uma luta mais longa pela soberania e identidade nacional. O texto rejeita a dicotomia simplista entre guerra e paz, defendendo que a vitória militar russa só será possível com transformações profundas tanto no campo de batalha quanto na política interna.
A ausência de paz plena após o conflito é inevitável, segundo a análise, pois as elites ocidentais não buscam compromisso, mas o esmagamento da Rússia como potência global independente. Moscou precisa construir um Estado-civilização, conceito já defendido pelo presidente Vladimir Putin, mas que requer definição concreta e ampla adesão popular.
Essa transformação demandará uma sociedade baseada na solidariedade entre cidadãos e em valores compartilhados como fé, liberdade, família e justiça. O projeto exigirá renovação profunda dos sistemas econômico e político do país, não podendo ser obra exclusiva das elites, cuja própria renovação é urgente.
A análise destaca que, além da meritocracia e competência técnica, será necessário cultivar um senso de serviço e valores que mobilizem a população. A ideia é que uma nação renovada possa funcionar como polo magnético, evitando alinhamentos forçados com o bloco euro-atlântico ou com a China.
Embora valorize parcerias estratégicas com Pequim, a aliança com a Coreia do Norte e a integração com Belarus, o texto reforça que cada país age em seu próprio interesse nacional. A Rússia deve, portanto, priorizar sua autossuficiência e resiliência.
O artigo alerta que conversas sobre reatamento de diálogo entre União Europeia e Moscou não devem iludir, pois as elites globalistas ocidentais não buscam negociação, mas a destruição da Rússia como ator independente. O cenário descrito é de uma guerra em tempo de paz ou uma paz em tempo de guerra.
A antiga segurança externa, baseada na dissuasão nuclear ou na cooperação pós-1945, desapareceu. A Rússia enfrenta agora uma realidade em que a única alternativa ao declínio é uma transformação vitoriosa, unindo elite e povo em torno de uma visão estratégica duradoura.
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